Tese combalida
Eterna vítima da incapacidade governamental, a população brasileira sofre neste momento mais um golpe que, na ótica daqueles que deveriam administrar o País e de alguns outros que se valem das crises econômicas para aumentar suas riquezas, é resultado do processo eleitoral. A alta do dólar a um patamar intolerável, fazendo com que a moeda brasileira perca até para o peso dinheiro de um país cujo povo acabou de sair do caos e ingere ainda o gosto amargo da bagunça política e econômica também ''patrocinada'' pelo governo , nada tem a ver com o eventual sucessor do atual presidente da República.
Erros e mais erros, adicionados à omissão política do governo, trouxeram a esta situação. Já se disse neste espaço que a falta de determinação política, por culpa inclusive da proteção que se dá a determinados grupos que trabalham nos bastidores dos palácios para garantir interesses próprios, forma a espinha dorsal do Brasil que o brasileiro não quer. E este Brasil que a população tem medo de encarar é o da manipulação, das jogadas, da lei do Gerson, da impunidade, do oportunismo e do salve-se quem puder. Não é o povo que faz este País assim. Formado por milhões de trabalhadores, este imenso contingente busca, sobretudo, criar bases para deixar aos seus filhos um Brasil que garanta a todo o cidadão viver com conforto e segurança.
Portanto, engana-se ainda quem insiste na combalida tese da reviravolta econômica por causa da sucessão presidencial. A leitura é clara: o eventual sucessor, seja quem for, ainda está em campanha e só vai assumir no ano que vem. O gerador da crise, portanto, é este que permitiu ao longo dos últimos anos que o dólar chegasse aos 3,78 de ontem.
Walter Ogama





