Terrorismo instalando-se no Brasil
O crime organizado demonstrou, em São Paulo, que é capaz de exercer domínio sobre as forças regulares do sistema policial e que pode agir às claras e de forma tática surpreendente. Se a bandidagem vinha se revelando perigosa para os cidadãos; se, sobretudo, as brigadas do narcotráfico converteram-se num poder paralelo aos organismos de repressão, não se conhecia essa qualidade de terrorismo dos comandos assassinos contra os seus grandes rivais os integrantes da Polícia. Eles não escolheram nomes de policiais, carcereiros, escrivães, para matar, significando que não agiram por vinganças individuais marcadas. Porque foram matando policiais indistintamente, metralhando delegacias e viaturas não perdoando nem sequer a namorada de um agente. O balanço é de 26 policiais assassinados, mais 4 membros do bando que morreram na operação. Ao todo foram 63 ataques, em todo o Estado, como mais de uma centena de reféns. No comando, o bandido Marcos Camacho, mais conhecido como Marcola. Foi uma impressionante demonstração de organização e de força de parte dos maiorais da criminalidade, o que coloca em estado de temor e de alerta não só os órgãos de combate ao crime mas toda a nação brasileira. O que aconteceu sábado em São Paulo foi motivado pela separação, nos presídios, de líderes dos bandidos, uma operação que visou debelar os motins (que começaram no interior do Estado) e desarticular o poder dos comandos. O resultado foi a imediata articulação e o revide, com a ação de encarcerados e das falanges que estão soltas, porém coesas e obedientes à ordem dos chefes. As ações foram rápidas e bem articuladas, uma virtude não muito encontrável nos organismos regulares de repressão. A espinha dorsal da segurança foi duramente atingida e o episódio obrigará a uma mudança de estratégias por parte dos comandos da Polícia. O sangrento episódio tem característica de guerrilha urbana de um lado as facções criminosas bem armadas e taticamente estruturadas, e de outro o corpo policial. O momento não é de fazer avaliações aleatórias, como a do presidente Lula (falando de Viena), ao dizer, referindo-se aos fatos, que é preciso investir em educação, como forma de evitar barbarismos como este. Porque o mais urgente é perceber a realidade de que existe no Brasil um contingente organizado do banditismo, que constitui um poder e se estriba numa política de aniquilação de agentes da Polícia. O acontecimento passa a reclamar um trabalho conjunto das autoridades de todo o País, porque o problema não se circunscreve ao Estado de São Paulo. Soluções a longo prazo são necessárias, como a preconizada pelo presidente da República, mas o momento exige a montagem de um pesado batalhão de combate, sem dispensar o Exército, porque esta é uma questão de segurança nacional e as Forças Armadas existem para isto.





