Fazendas, sítios e chácaras deixaram de ser lugares de tranquilidade, porque estão assolados pelos assaltos e roubos. Se o problema não é novo, vem se agravando, da maneira que também se intensificou a insegurança nas cidades. Reportagem de ontem deste Jornal mostra que a situação é preocupante, e o pior, ao menos nos lugares focalizados - as regiões de Ibiporã, Jataizinho e Assaí - agentes policiais informam que fazem o que podem mas falta infra-estrutura. A constatação é sempre a mesma, tanto nas cidades como na zona rural: a bandidagem aumenta e o policiamento não é suficiente.
A Promotoria de Investigações Criminais de Londrina conseguiu prender um homem e três mulheres suspeitos, porque com eles foram encontrados armas e objetos reconhecidos por lavradores roubados, e este pode ser um passo para capturar outros membros das quadrilhas. Mas o temor continua e, nesses locais isolados, o risco é maior porque os bandidos agem com mais liberdade e facilidade de fugir. Foi-se o tempo em que chácaras eram lugares para momentos de paz, especialmente nos fins de semana. E os agricultores, que já enfrentam dificuldades como as inconstâncias do tempo para plantar e colher, agora estão atemorizados também por essas hordas de invasores.
A delegada de Polícia de Jataízinho, Jussara Arantes, diz que esses assaltos a propriedades rurais estão acontecendo em todo o Estado. Está aí mais um problema em que o Secretário de Segurança, Luís Fernando Delazari, precisa se debruçar, ele que esteve em Londrina na semana passada e prometeu mais contato com as lideranças comunitárias. A estratégia adequada para conter esse gênero de banditismo, os organismos de segurança devem saber quais são, e eles precisam ser acionados. Os colonos estão se armando, conforme a reportagem da FOLHA mostrou, mas é sabido que lhes falta a habilidade dos bandidos para lidar com armas e a reagir, porque se este é um mecanismo legítimo de defesa é também um risco. É o poder público que tem a obrigação de dar segurança aos cidadãos.
Revide por parte desses desprotegidos agricultores pode significar represálias dos bandidos, e disso eles são capazes. O Estado precisa agir rápido, porque esta é a sua atribuição. Se a polícia, como diz a delegada, faz o que pode, ao menos na sua jurisdição - e sabe-se que as limitações existem - os comandos na mais altas esferas políticas e administrativas e os próprios parlamentares devem dedicar-se ao problema e articular operações pertinentes, reforçando os efetivos humanos e investindo mais pesadamente nos mecanismos de segurança pública. Este será um dinheiro bem empregado, e recursos não faltarão se houver critério de uso. Porque esbanja-se tanto no supérfluo e nas mordomias da máquina governamental, em todos os seus três Poderes, mas em setores vitais como segurança, saúde e educação, é sempre a desculpa de que os meios são escassos. E assim as medidas acontecem em conta-gotas.

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