Personalidades merecedoras de respeito, na vida pública do país, estão fazendo terrorismo no processo de sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Trata-se de terror dirigido, cujo alvo principal é o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, líder absoluto nas pesquisas eleitorais, a quatro meses do pleito. Forjam-se contra ele novos cabos Anselmos e poderosos inimigos externos.
Para esse terrorismo, a eventual vitória de Lula, em outubro, implicaria a transformação do Brasil na Argentina de amanhã. Um dos melhores economistas brasileiros, o deputado Delfim Netto, diz, com muita graça, que essa advertência é descabida. ‘‘Se a incompetência de Fernando Henrique Cardoso não conseguiu provocar tal fenômeno, como Lula poderia nos causar tamanha catástrofe?’’
Apesar da ironia, Delfim tem razão. O ex-presidente José Sarney concorda com ele e reconhece: governar um país depende mais de bom senso do que de competência. Essa palavra – na opinião deste repórter – esconde o preconceito dos orgulhosos poliglotas das nossas elites, formados em grandes universidades, com mestrado e doutorado no exterior, que se julgam infalíveis.
Entre os terroristas da teoria do catastrofismo, resultante da incompetência, estão o presidenciável do PSDB, José Serra, e o promotor dessa candidatura, o presidente Fernando Henrique Cardoso. Um e outro lembram, com frequência, que temos uma lei de responsabilidade fiscal. E essa, ao exigir austeridade fiscal dos governantes, limita, previamente, a gastança que adviria da execução de desvarios demagógicos dos candidatos da oposição à Presidência, a começar, claro, por Lula.
Roosevelt livrou os Estados Unidos da depressão de 1932 contrariando o espírito dessa lei, que, aliás, não existia então. Se existisse, adeus, Estados Unidos. Fernando Henrique fala em austeridade e quer impô-la ao futuro governo. Como pode? Em oito anos, ele vendeu estatais por US$ 120 bilhões a pretexto de pagar uma dívida, que, no entanto, subiu internamente de R$ 65 bilhões para R$ 700 bilhões.
O Brasil não cresceu nem quitou sua dívida social. Cresceu nele, porém, o índice de desemprego, hoje só inferior ao da Índia.
Qualquer forma de terror é condenável. O que Fernando Henrique Cardoso e Serra prevêem já é quase realidade e merece, pois, condenação. Mas cuidado: em Cuba, uma lei antiterror pune atos que alarmem ou aterrorizem o povo. Os Estados Unidos fingem ignorá-la para efeito de eventuais retaliações. Não vão Serra e Fernando Henrique, com o terrorismo político-eleitoral, dar motivo a Bush para detonar, no Brasil, o antiterrorismo intervencionista do império.
- RUBEM AZEVEDO LIMA é jornalista em Brasília

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