Terror como ideologia
Caminhamos com a morte de Osama bin Ladem para um novo tipo de tensão bem mais surpreendente e agressiva do que o vasto período de Guerra Fria. Se naquela a ideologia dava conta dos passos das áreas em litígio, agora a intimidação, não mais retórica, pode ser a qualquer momento com um atentado de grande ou pequeno porte, todavia com a marca digital do operador.
É evidente que para os Estados Unidos a morte daquele que é tido como o cabeça do ataque às torres gêmeas e ao Pentágono, na ação mais vigorosa e covarde de que se tem notícia, é uma reparação que mexe com os sentimentos cívicos do povo que saiu às ruas para festejar um feito que ganha dimensões de obra coletiva. Provavelmente, por estar numa dependência que não tinha comunicação com o mundo exterior, respalda a tese de que não era mais o homem principal da logística e estratégia da Al Qaeda.
A circunstância de o corpo de bin Laden ter sido lançado ao mar com o argumento de que se respeitava rituais religiosos e, provavelmente, por temor de que a guarda dos despojos poderia se tornar em ponto de romarias e culto foi o suficiente para que pessoas ligadas à Al Qaeda colocassem tudo em dúvida. Nem a imagem do morto foi aceita e encarada como montagem, o que é suficiente para sustentar a noção de que a exaltação prosseguirá e acompanhada certamente dos primeiros sinais de resistência e contra-ataque, o que aumentará os cuidados em relação à segurança e manterá uma atmosfera de paranoia, essa indispensável para o clima de intimidação ao gosto do fanatismo religioso.
Num momento em que há surtos de resistência a ditaduras consolidadas na África e cresce a confiança na luta pela democracia e a intensificação de atos terroristas pode se evidenciar como a busca do reequilíbrio na correlação de forças, torna-se indispensável lembrar do dístico de que a liberdade é, também, a eterna vigilância. Só que a vigilância não pode ser doentia e liberticida.





