Nos bancos escolares, é dito que a democracia é o governo do povo, no qual temos participação ativa. Tal idéia, decorrente do pensamento grego, muitas vezes esbarra na concepção de cidadão que havia na Grécia: o homem, livre, maior de idade, ateniense.

Nos séculos subsequentes, aqueles mais próximos a nós, a democracia participativa tornou-se uma realidade distante, pois o crescimento demográfico impôs um sério obstáculo à sua realização, transformando esta forma política na representatividade. Escolhemos os representantes que, empossados, tomam as decisões que nos afetam, para o bem ou para o mal.

Desta forma, abriu-se o precedente para que o homem público, representante do povo, possa estar à frente do poder em mais de um mandato. Tentando evitar concentrações de poder, impôs-se como cláusula constitucional que o governante poderia estar apenas duas vezes seguidas a frente do poder, sendo-lhe vedada uma terceira participação.

Entretanto, abre-se agora novamente a discussão. Qual sua importância? Do ponto de vista lógico, não deveria haver impedimentos para que o homem público permanecesse, quantos mandatos fossem necessários, à frente do governo. Se realiza um bom trabalho, não há motivação para que se interrompa esta sequência. Mas analisamos a partir de uma vista privilegiada, na qual imaginamos uma democracia consolidada, na qual o povo tem a plena consciência do voto que confia a tal candidato.

Vivemos, apesar disso, em um país no qual a democracia anda a passos tortuosos: sabe-se, baseado em inúmeros escândalos e denúncias, que o poder público não se perpetua pelas boas obras, mas pelos mandonismos locais e pelo assistencialismo barato, no qual já diria o presidente ''que se dá o peixe, mas não se ensina a pescar''.

Desta maneira, podemos firmar um voto de negação absoluta ao terceiro mandato presidencial, não por isto representar um mal em si, mas pelos usos e abusos que dele se fazem em um país no qual a miséria e a falta de condições não são problemas sociais, mas sim maquinação política, necessária aos ''donos do poder''.

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