Terceira
Guerra
Mundial
TT Catalão
Já foi declarada em cinco frentes. A guerra dos mercados entre o mundo rico e o pobre, sem direito de existir como economia, moeda e produção. A guerra do acesso à informação, que faz a diferença no controle do poder. A guerra da cultura que manipula a consciência, nivela as expressões regionais e robotiza a massa crítica. A guerra da biotecnologia e meio ambiente que definirá o valor e a patente da natureza para a vida. E a guerra química e virótica sob descontrole em produtos e usos do dia-a-dia.
Os vírus não têm século para atacar. Não saem de moda. Mostram a mais flagrante fragilidade do corpo. Pura e simplesmente. Não vêem classe social, raça, cor, religião, credo político. São mutantes, adaptam-se, mostram-se inteligentes ao adquirir defesas e contra-atacar. A onda de gripe que deixa saudáveis europeus na cama mostra a periculosidade dos seres invisíveis.
Três notícias em três escalas demonstraram isso na última semana: a ignorância que martela um tubo de gás corroído por ferrugem em Ceilândia, no Distrito Federal, o aviso dramático dos que adquiriram a Febre de Lassa nos vôos TP3149 (Abidjan–Lisboa) e TP5576 (Lisboa–Frankfurt) da TAP e o registro de duas bactérias desconhecidas vindas na carona de um meteoro.
O fato de Ceilândia remete ao episódio trágico do Césio-157 em Goiânia, quando se encontraram a tecnologia da radiatividade e a ignorância do excluído. O fascínio da pedra azul letal com a fome sob cachaça endêmica. O tubo que intoxicou e matou em Ceilândia tem uma indústria que o gerou, um percurso que o deteriorou e a negligência que não o controlou. Como pode tal bomba carregada chegar a um quintal de um homem simples? É a guerra!
Ser contaminado pele febre amarela ou pela dengue em um ônibus pé-duro ou pelo vírus da Febre de Lassa em um confortável Boeing faz pouca diferença. A Lassa se caracteriza pela febre alta, hemorrágica e com erupção pelo corpo. Pode ser mortal. Uma estudante alemã de 24 anos que fez escala em Lisboa foi contaminada e todos os passageiros do vôo passaram a ser grupo de risco. É a guerra!
Do espaço chegaram dois novos habitantes ao nosso Planeta: a Bacillus subtilis e a Deinococcus radiodurans (R1) que resistiram a altas velocidades, extremo calor e radiações. Cientistas do Instituto Real de Tecnologia em Estocolmo acreditam que a viagem deve ter sido feita há 4,5 milhões de anos, quando Marte poderia reunir condições necessárias para a existência de vida. Duas visitantes que não sabemos bem o que poderia proliferar quando em contato com algo específico.
Nossa fragilidade é imensa na condução e no entendimento da própria vida. Ainda choca perdermos tanto tempo e dinheiro em conquistas materiais quando podemos ruir por um vírus ou pela contaminação por vazamento químico graças à ignorância individual e à negligência do Estado que, se não controla usinas nucleares, será que vai olhar o quintal do vizinho armado com uma bomba letal? É a guerra!
- TT CATALÃO é jornalista em Brasília

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