A busca da evolução espiritual, aliada à saúde e ao equilíbrio emocional é um discurso cada vez mais popular. Mas até que ponto isto não está se tornando uma exigência na vida das pessoas? Nas palavras do educador José Aparecido Celório, de Maringá, essa busca pela terapia floral, bem como às demais terapias complementares, deu-se devido à crise na cultura médica. Celório alerta: não existe mágica e é preciso cuidado com o consumismo.

Por que as pessoas passaram a consumir a terapia floral?
As terapias, de uma forma geral, apareceram diante da crise da cultura médica, que valoriza o que é mensurável, a quantidade, tudo o que é medido, o corpo, seja na medicina, psicologia, fisioterapia, odontologia, enfermagem... No momento em que se trabalha com porcentagem e medidas, acaba-se por padronizar as pessoas. Por mais avanços que a cultura médica tenha obtido, ainda há um vazio.

Que vazio seria esse?
A angústia. A angústia não é algo da contemporaneidade. Desde a Grécia Antiga se discute o que é felicidade. Outra questão importante: a partir do século XVIII, com a política liberal, a angústia aumentou. Passou-se a dar mais importância ao indivíduo. A felicidade e o sucesso estariam ao alcance e domínio de cada ser.

E com as ferramentas na mão, o que se faz?
Anteriormente, o sistema orientava o indivíduo. Atualmente, há o medo e a ansiedade. Um exemplo: na Idade Média, um jovem de 17 anos tinha determinado se seria músico, iria para a batalha ou para um convento. Hoje, temos uma geração na iminência do vestibular que vive sob a pressão de escolher uma profissão, a escolha depende deles.

O senhor considera a situação hoje melhor ou pior?
Não se trata de melhor ou pior. Há uma variedade de opções e a responsabilidade é jogada no indivíduo.

As pessoas procuram a felicidade de qualquer forma?
Tento procurar, na terapia floral, como ela pode ajudar o indivíduo a ser um pouco mais crítico. O problema é o seguinte: numa sociedade de consumo, em que as pessoas podem tudo - pelo menos elas acham que sim -, vendem-se fórmulas justamente para esses indivíduos. Esse produto de consumo promete uma ''liberdade''. Ao mesmo tempo, a ''felicidade'' apregoada tem seu preço: o sistema torna o indivíduo dependente, precisando sempre de alguém para lhe dizer o que deve fazer ou não. A felicidade é ilusória e a liberdade também. Não existe a felicidade plena.

Como atingir essas ''felicidades'', recorrendo à terapia floral?
Primeiro ponto: é preciso ter outros olhares para o ser humano. Não somos somente corpo e razão. O homem não pode ser medido, mensurado. Outra questão importante refere-se à sociedade de consumo. A terapia floral pode ser utilizada pelo modo capitalista de vender ilusão. Quando houve aquele ''boom'' da terapia floral, no início da década de 1990, surgiu, então, a proposta de que há uma fórmula, há um floral que você toma e ele resolve todos os seus problemas. Essa ebulição de sistemas, muitos deles com pouco tempo de experiência, trouxeram propostas que se assemelharam ao discurso das religiões baratas. A pessoa não vai tomar a fórmula e pensar que vai mudar a sua vida. Ela deve assumir mais responsabilidade diante daquilo que vai sentir.

Ou seja, não existe mágica?
Exatamente. Só as pesquisas podem apontar a efetividade ou não do floral. Não existe fórmula mágica. O que não se pode é, num dia tomar floral, no outro fazer reiki, depois meditação, yoga. Não se resolve um problema de 15 anos em dois, três meses.

Serviço:
A palestra ''Terapia Floral, Sociedade do Consumo e a Busca da Felicidade'' acontece hoje, às 19h30, no Ipesb. Para participar, basta doar um produto de limpeza. Inscrições no (43) 3339-1390.

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