Terapia Comunitária teve início em favelas de Salvador
Os seis anos vividos na Europa mudaram radicalmente a vida do psiquiatra Adalberto Barreto da área médica partiu para a antropologia e até para a teologia. A experiência que ele sentia faltar, contudo, veio só com o retorno à terra natal, em 1987. Foi daí, no contato com moradores de uma favela de Salvador (BA), que ele começou a fundir os ensinamentos das três áreas para criar a Terapia Comunitária.
Da experiência inicial, Barreto conta que hoje já são mais de 6,6 mil terapeutas comunitários espalhados por 21 Estados. No Paraná, a iniciativa foi abraçada pela Pastoral da Criança, que treinou cerca de 3 mil pessoas para a função.
''A idéia é trabalhar com a competência, e não com a carência das pessoas'', afirma. O motivo, ele explica, é bastante simples: ''A situação de carência gera uma competência, uma habilidade. Assim, passamos a olhar o outro como herdeiro de uma cultura popular importante demais para sua saúde psíquica''.
Ministrando a Terapia Comunitária em grupos essa é, aliás, característica básica desse tipo de tratamento , o psiquiatra lembra que a maior concentração de gente para ser atendida ocorreu justamente no Paraná, em Faxinal do Céu, ano passado, ocasião que reuniu 450 pessoas com problemas dos mais distintos. ''A palavra terapia vem do grego e significa 'cuidar de'. Quando a comunidade se une e dá apoio entre si, ajuda a superar os sofrimentos. Além do que, o fato de uns fazerem perguntas para os outros ajuda a mudar opiniões negativas que têm sobre si.''
De acordo com Barreto, as queixas são diversas e atingem todas as classes sociais. Nas favelas e em periferias, entretanto, a violência desencadeia constantemente sensações de abandono a quem vivencia tal realidade.
E em um momento de políticas sociais para o combate à pobreza, o psiquiatra deixa uma sugestão: ''Veja programas como o Fome Zero, por exemplo. Não adianta dar só o de comer ao povo e estimular a carência, se ele precisa antes de noções de cidadania. Tem que se ensinar a população a refletir, por isso penso que uma solução seria incluí-la nesses programas condicionando-a a participar de terapias comunitárias. Caso contrário, a sonhada inclusão social não passará mesmo de um sonho''. (J.G.)





