Ter dias descontados é risco de grevista
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sábado, 19 de agosto de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Greve é sempre um péssimo recurso, em qualquer atividade, e quando ocorre no serviço público e causa prejuízo ao povo, deve ser repudiada. Caso da paralisação dos servidores da Prefeitura de Londrina, que hoje chega ao 12º dia e vem prejudicando mais gravemente os atendimentos da saúde e da educação. O argumento de que não há disponibilidade de dinheiro para o aumento salarial solicitado de 27% precisa ser considerado e avaliado sobretudo pela Câmara de Vereadores, mesmo com a dificuldade que vem encontrando para contactar com o chefe do Executivo. Que, há algum tempo, também decretou greve, pois é pouco visto na Prefeitura e na cidade. Verdade que para administrar um município não é preciso estar sempre dentro do gabinete e nem na praça, porque é também produtivo deslocar-se para os gabinetes governamentais superiores em busca de verbas e outros benefícios. Mas não se tem conhecimento de onde o prefeito andou nestes períodos de ausência. Os vereadores têm obrigação pública de intervir e saber até onde é possível aumentar a folha de pagamento do pessoal, ou se não há mesmo condição para isso. Descontar os dias parados é uma atitude que o comandante da administração municipal pode tomar, porque quem não comparece ao trabalho perde direito moral de receber. O sindicalismo brasileiro é sempre muito tendente a decretar greve, porque ainda não evoluiu suficientemente para a inteligência do diálogo e não costuma atentar para prejuízos que as paralisações causam e muito pior se for na administração pública. Historicamente, alimenta a ideologia do enfrentamento sistemático com a classe patronal. É um ideário antigo do trabalhismo, seguido à risca pelo petismo que, no caso da greve de Londrina é no momento o empregador. O prefeito, que em sua vida política veio bebendo dessa fonte e nela firmou seus ideais como todos os seus pares sente agora (e já pela segunda vez) o que é ser vítima de algo que o seu PT sempre fez: promover greves, atos públicos e outros movimentos desestabilizadores da ordem pública. O confronto trava-se entre o sindicalista e o administrador petista, portanto no mesmo arraial. Mas ocorre que os prejuízos extrapolam os limites da rinha e atingem toda a população, que tem sofrido privação parcial de atendimentos e não só os estratégicos de saúde e educação mas também os burocráticos. Por conta disso, em muitos segmentos a cidade foi forçada a diminuir atividades. No momento o prefeito não tem mais nada a fazer a ser verdade que faltam os recursos senão acenar para o desconto dos dias parados, como forma de induzir os grevistas a voltarem ao trabalho, sem prejuízo das negociações para eventualmente extrair-se dela algo que contemple o pleito dos servidores e não cause sangria no equilíbrio financeiro da contabilidade municipal. E será um tempo para que o poder público Câmara incluída também examine medidas de enxugamento da máquina administrativa, de forma a que sobre dinheiro para atender à reivindicação do pessoal até onde for justa. Uma greve, mesmo que amparada pela legislação, é sempre uma forma de desordem social, e como tal sujeita ao ônus das sanções.


