Madrugada de 2 de março de 2001. Vinte presos serram as grades de três celas e de um quadrante da Cadeia Pública Laudemir Neves, em Três Lagoas, alcançam o solário e fogem com ajuda de uma corda feita de lençóis. Osmar Ferreira, 32, era o vigésimo primeiro. Ele descia pela ''teresa'' quando policiais efetuaram ''tiros de advertência, mas o interno não obedeceu e de repente o mesmo veio a cair'', diz o primeiro boletim da ocorrência.
O caso, que começou a ser investigado pela 3 Vara Criminal em 2001, acusa envolvimento de policiais militares numa suposta facilitação de fuga, além de hipotética morte de Osmar a ''pedido ou paga'' por outro preso, Agnaldo Gonçalves, ao preço de R$ 1,5 mil, porque ''Osmar sabia demais''.
A denúncia foi oferecida pela promotoria em 23 de novembro de 2001, mas o juiz Marcelo Gobbo Dalla Deá a recebeu 20 meses depois, em 18 de julho de 2003, marcando a primeira audiência para 6 de agosto. Ainda assim o único indiciado que compareceu no fórum nada falou porque o juiz substituto, Hamilton Rafael Scharwtz, ouviu somente réus presos naquele dia.
Por enquanto, sabe-se que o soldado Luiz Cláudio da Silva efetuou dois disparos, um dos projéteis atingiu a clavícula direita e outro, se atingiu o corpo, foi em lugar indefinido. O laudo do IML revela que um projétil entrou pela axila direita (mesma área da clavícula) de Osmar deixando um centímetro de zona de esfumaçamento, além de apontar um tiro na mandíbula, um tiro no abdômen e um tiro na mão direita ''tipo de lesão de defesa''.
É sabido, ainda, que o Luiz Cláudio e outros três colegas estavam embaixo do quadrante por onde o interno descia pela corda. Os quatro atiraram no fugitivo, embora em nenhum momento dos autos há menção de Osmar estar armado. Os quatro soldados negam o envolvimento em facilitação de fuga e afirmam desconhecer a eventual morte encomendada. (A.P)

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