Tensão, manobras e direito
Ontem o País teve mais um dia intenso. Posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil, suspensão da nomeação, abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e manifestações País afora, inclusive com enfrentamento. O clima está tenso, os ânimos estão acirrados e, portanto, é preciso maturidade e calma para avaliar todos esses acontecimentos. No entanto, a velha máxima de que "nada é tão ruim que não pode ser piorado" cai como uma luva neste atual momento.
De qualquer forma, o governo parece ter chegado ao fim. Embora a presidente Dilma, Lula e o Partido dos Trabalhadores queiram dar uma sobrevida ao mandato presidencial e se agarrem a o único fio restante, não há sequer condições para isso. Lula chegou ao governo totalmente enfraquecido após as divulgações das suas conversas telefônicas. Além das questões legais da tentativa de obstrução da Justiça e de usar sua influência para barrar as investigações da Lava Jato , o que se ouviu foi uma série de palavras de baixo calão e de falas que desqualificam totalmente seus próprios aliados e o Supremo Tribunal Federal instância máxima do Judiciário brasileiro.
Portanto, Lula assume uma cadeira no ministério totalmente enfraquecido. Bem menor do que o planejado e incapaz de reavivar o atual governo. Tanto que ontem mesmo a Câmara dos Deputados instaurou o processo de impeachment. O relator é tido como um dos nomes mais próximos do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputado Jovair Arantes (GO), que está em franca guerra com o Planalto. Agora, cabe à população acompanhar todo o processo e o posicionamento dos deputados.
É hora de cobrar uma posição firme. Ninguém pode ser favorável a todos esses escândalos de corrupção, a governantes que estão dispostos a qualquer ato para se manter no poder. Ministério não é lugar para réus da Justiça, para pessoas que estão sendo investigadas. Cabe sim à população o direito de se manifestar, de exigir mudanças e de pressionar o Judiciário e o Congresso para impedir a continuidade de tudo isso. Não se pode esmorecer.





