Figuras folclóricas vêm e vão na história política nacional. O Paraná tem seu espaço garantido neste quesito, mas os holofotes da mídia estão voltados desde o início desta semana para um representante carioca. Na última segunda-feira, o deputado Jair Bolsonaro (PP) disse que um filho seu nunca namoraria uma mulher negra porque isso seria promiscuidade. Ele respondia a uma pergunta feita por Preta Gil, que afirmou pretende processá-lo.
Bolsonaro respondia a uma série de questões sobre ditadura e preconceito contra gays e negros em um programa de televisão. Quando questionado pela cantora sobre como ele agiria caso seu filho se apaixonasse por uma negra, disse não se preocupar com isso. ''Não vou discutir promiscuidade. Não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu'', respondeu.
A reação veio em cadeia. Defensores dos direitos dos afrodescendentes e de homossexuais, além de congressistas e membros do governo federal pediram punição ao parlamentar. Para provar que não é racista, o deputado carioca vai exibir na próxima segunda-feira, no mesmo programa de televisão, uma foto de seu cunhado, que seria, em sua avaliação, ''75% negro e 25% branco''.
Bolsonaro é figurinha conhecida pelos pensamentos radicais - e provavelmente não é o único a tê-los. Na quinta-feira se envolveu em nova polêmica, desta vez envolvendo o Ministério da Educação. Em entrevista a uma rádio, disse que o MEC vai estimular o homossexualismo e ''abrir as portas para a pedofilia'' ao distribuir um ''kit gay para as escolas de primeiro grau''. O kit, concebido para combater a homofobia, é destinado a professores do ensino médio.
Ainda na quinta, ele aproveitou a mesma entrevista para saudar militares pelo 31 de março, data do golpe militar de 1964, e criticou as pessoas que acham que ''tudo é culpa da ditadura''.
E completou dizendo não ter medo de perder o mandato por suas declarações polêmicas: ''Tenho imunidade para roubar ou para falar?''
Sim deputado, vossa excelência tem imunidade para falar o que quer. Um direito que foi instituído para a proteção do livre pensamento. Mas que ultimamente tem sido invocado para proteger todo tipo de ilegalidade.

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