Tempos e armas
Estou lembrando de meados da década de 1980, quando o poder da bandidagem se concentrava no uso de pistolas e revólveres de calibres 32 ou 38, cujo alcance do projétil nesses casos é de no máximo 500 metros e carregam até seis balas em seus tambores. Armas poderosíssimas e temidas naquela época, usadas nos velhos assaltos a bancos e também pela polícia, que enfrentava os bandidos mais ou menos de igual para igual.
O tempo foi passando, os problemas econômicos e sociais foram se alastrando e hoje, muitos anos depois, vemos a violência em alta escala, que aterroriza e mata inocentes pelas cidades do Brasil afora.
É uma guerrilha urbana sempre crescente, que vem fazendo vítimas e destruindo a qualidade de vida dos cidadãos de bem. Alguns por medo ou desinformação tentam se proteger inutilmente, com armas que em outros tempos foram o Top de linha em poder de fogo, e hoje são verdadeiros estilingues se comparadas às da bandidagem.
Atualmente, por exemplo, as armas mais usadas pelas quadrilhas organizadas são os fuzis AR-15 e os AK-47. O AR-15 é um produto de fabricação americana, sendo o mais procurado pelo seu longo alcance de tiro e precisão, que atinge 3.500 metros de distância e seu projétil fura o ar a uma velocidade de 988 metros por segundo. Já o AK-47 tem um alcance de tiro de 3.000 metros e também é bastante preciso. De fabricação russa, seu preço é bem competitivo em relação ao concorrente americano no mercado negro, por isso é bastante popular no submundo do crime.
Se essas armas já não bastassem, existe outra mais moderna e poderosa que começou a se popularizar entre as quadrilhas mais financeiramente preparadas. Se trata do fuzil SIG-Sauer 551, de fabricação suíça, fácil manejo, leve e bastante eficaz. Atira 30 balas a cada 3 segundos de rajada, a uma velocidade de 1.000 metros por segundo e seu alcance de tiro chega a 4 quilômetros de distância.
Isso, é claro, sem falar das proliferadas sub-metralhadoras Uzzi e das pistolas automáticas 9mm cujo projétil alcança 1.000 metros de distância e percorre o ar a uma velocidade de 500 metros/segundo.
Com todo esse potencial bélico em mãos erradas, nos velhos tempos do trezoitão não precisávamos viver atrás de blindagens, vidros a prova de balas nas janelas, grades, muralhas e escoltas armadas. Estávamos mais seguros, mais protegidos e com pouquíssimas chances de levar um tiro dentro de nossa sala, causado por uma bala perdida de algum disparo qualquer a 3 ou 4 quilômetros de distância. Não é exagero, basta olhar as estatísticas de vítimas de tiros e balas perdidas dos últimos anos das cidades brasileiras e concluir que são verdadeiros números de guerra.
ALEXANDRE SERRANO LUPI, Londrina





