Tempos difíceis são parte integrante da nossa caminhada neste mundo. Ninguém, nesta vida, pode reclamar por falta de dificuldades. Elas surgem com extrema facilidade, ocasionando, muitas vezes, sensíveis transtornos capazes de, em um simples instante, nos arrebatar da mais alta montanha, e nos levar até o mais profundo vale.
Já o trajeto de retorno do vale à montanha, é sempre mais custoso e doloroso. Neste sentido, a vida humana, grosso modo, é constantemente comparada a uma montanha russa, repleta de ''altos'' e ''baixos''. Contudo, o grande dilema humano está em tentar compreender o que se passa na mente de Deus, isto é, quais seriam os seus reais intentos, ao permitir que a vida, em diversas circunstâncias, seja tão amarga e tortuosa.
Na bíblia podemos encontrar diversas experiências de pessoas que se depararam com semelhante dilema. Dentre estas, é mister que destaquemos o exemplo clássico de Jó; um homem íntegro, temente a Deus, que possuía muitas riquezas e bens em abundância, vivia em um lar aparentemente feliz com seus filhos e esposa, andava em caminhos retos e desviava-se do mal. Tudo parecia ir muito bem, até o momento em que Jó é falsamente acusado por Satanás de servir a Deus por causa das bênçãos materiais e, repentinamente, se vê destituído de todos os bens que possuía, acometido de enfermidades e tumores por todo o corpo, passando, assim, a ter o sofrimento amargo como sua porção diária (ver Livro de Jó).
Por que haveria Deus de não obstar frente às consternações da vida de um servo tão bom e fiel? Este é justamente o ponto de tensão que marcou a experiência de Jó, e o que o fez oscilar entre a confiança e a dúvida, entre a paciência e a indignação, entre a esperança e a falta dela, entre a bênção e a maldição. Enquanto seres humanos, face às agruras do tempo presente, todos estarão sujeitos a estas oscilações.
Os propósitos de Deus são sempre mais complexos do que podemos imaginar e, portanto, envolvem questões que vão muito além das visões românticas que, não raras vezes, perfazem nossa fé em Deus como diria W. Shakespeare, ''há mais mistérios entre o céu e a terra do que ousa julgar a nossa vã consciência'' questões estas que requerem de nós um experimentar e um reconhecer, diário, que Deus continua sendo nosso amigo, mesmo em tempos difíceis de aperto e dor.
Esta foi a lição que, por fim, Jó aprendeu com todo o seu sofrimento. O sofrimento abranda os corações e, em si, traz um mundo de lições. Nesta vida, não podemos almejar somente a glória e desprezar o custo e as dificuldades, pois a vida frutífera busca tanto as chuvas como o sol. Busquemos, sim, aprender a ouvir o que Deus tem a nos dizer em meio a tempos difíceis.
JONATHAN MENEZES é estudante de História na Universidade Estadual de Londrina e membro da Oitava Igreja Presbiteriana de Londrina

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