Tempo quente
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de outubro de 2003
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
Calor é mulher de biquini, sorvete, cerveja gelada, praia, piscina, balde de água; calor é ar condicionado, ventilador, torneira aberta, banho gelado. Calor também é alergia, suor, relógios alterados e grandes contas de água e luz no fim do mês. Para quem mora num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, a chegada do calor é a vida voltando ao normal, a terra entrando nos eixos
O verão só começa no dia 22 de dezembro mas a natureza não gosta de burocracia - em pleno início de primavera o clima deu uma virada brusca, as temperaturas dispararam e os termômetros passaram dos 36 graus em várias regiões do Estado. Foi a segunda maior temperatura do ano. Até agora, o dia mais quente de 2003 foi em março, com 35,6 graus. Segundo o meteorologista Marcelo Brauer, do Instituto Tecnológico Simepar, as variações de temperatura nesta época do ano são normais. Afinal, a primavera é uma estação de transição.
De olho nos mapas, no comportamento dos ventos e nas estatísticas, os especialistas em clima já sabem que os próximos três meses vão ser muito quentes e chuvosos. ''A seca vai embora e vamos ter bastante chuva. A média de 100 milímetros no mês de setembro vai aumentando gradativamente até dezembro'', afirma Brauer. As chuvas devem vir acompanhadas de frentes frias mas frio, mesmo, só no ano que vem. ''A temperatura pode cair um pouco quando chover mas não muito. O mais comum é um aumento de nebulosidade e um refrescamento'', explica Brauer. No norte do Estado as temperaturas devem variar entre 17 e 27 graus.
Fazer previsões climáticas é também lidar com o improvável. Às vezes dá tudo errado. Por isso, os meteorologistas se impõem um limite de três meses e não prevêm nada adiante disso. ''Só vamos saber realmente como vai ser o verão em meados de novembro. Fazer qualquer previsão antes disso é temerário'', reconhece Brauer. No entanto, ele próprio admite que este ano o calor deve 'abusar': ''Do jeito que as temperaturas já estão, a tendência realmente é de vir um verão muito quente por aí''.
Calor é sinônimo de preocupação para a Sanepar, a companhia de água do Paraná. Nos meses mais quentes do ano, o consumo de água aumenta até 25%. Na região de Londrina, a Sanepar está preparada para um aumento de 20%. ''Não temos disponibilidade de água para qualquer desperdício'', avisa o gerente de operações da Sanepar, Sergio Bahls. A produção diária de água é de 2 mil litros por segundo. Essa quantidade tem que atender Londrina e Cambé. ''Nós já solicitamos a execução de um poço no Aquífero Guarani, que fica próximo ali do Limoeiro e tem capacidade de vazão de 300 litros de água por segundo. Tem também outro poço prá ser construído na zona norte. A licitação está em andamento e as obras começam em outubro. No entanto, só vamos poder contar com ele no próximo verão'', alerta Bahls.
Considerando que Londrina já passou por vários racionamentos de água - o último foi em 1994, a ordem é economizar: ''O racionamento só acontece se a cidade não nos ajudar. O problema aqui é de comportamento e não de falta de água. Em países de primeiro mundo, o consumo por habitante é de 80 litros/dia. Em Londrina, no verão, essa média chega a 160 litros/dia. É demais'', aponta Bahls.
Driblar o calor também aumenta o consumo de energia elétrica. Um consumidor típico para os padrões da Copel (casa com um aparelho de ar condicionado, um freezer, geladeira e chuveiro) gasta, em média, 100 kws a mais por mês quando o tempo esquenta. O chuveiro elétrico, grande ''vilão'' das contas de luz na época de frio, também consome bastante energia mesmo usado com a chave na posição ''morno'' ou ''verão''. Quatro banhos de 9 minutos por dia causam um consumo mensal de 97 kws. Se o consumidor pagar a conta em dia, vai gastar R$ 29,79. Se atrasar, a conta fica 24% mais cara. Os mesmos 4 banhos de 9 minutos com o chuveiro na posição ''morno'' vão custar R$20,79.
Outro conforto que custa caro é o ar condicionado. Um aparelho pequeno, funcionando 4 horas por dia durante 10 dias custa R$9,78. As empresas que mantém grandes equipamentos ligados o dia todo e os consumidores que dormem com o aparelho funcionando a noite inteira pagam até 10 vezes mais. O superintendente regional da Copel, Roberley Savariego, garante que não há risco de apagão ou racionamento mas insiste na economia: ''Queremos um consumo consciente. As pessoas podem ter conforto sem desperdiçar energia. É só saber usar corretamente cada aparelho e lembrar de não deixar lâmpadas acesar''. Por falar nisso, uma lâmpada incandescente de 60 watts ligada 5 horas por dia durante 30 dias gera um custo de R$2,75.


