A inabilidade do presidente Lula em imiscuir-se na campanha das eleições municipais resultou em insatisfações e numa fragilização ainda maior do apoio que tinha no Congresso. A figura do chefe supremo da República deve situar-se acima de partidos, e mais cautela há que haver em momento eleitoral, quando líderes de todas as facções descem às bases para apoiar seus candidatos. Lula ignorou isso. Não era hora para expor-se, em confronto com integrantes das bases aliadas. Além de não haver contribuído em nada na campanha em favor dos seus, Lula semeou descontentamentos entre parlamentares e governadores, deixou de ser recebido com as honras de presidente onde esteve, e assim converteu-se num comum uma banalização que não é da boa política permitir e agora tem de desdobrar-se em esforços, desgastando-se ainda mais, para fazer os remendos, até onde conseguir. Hoje Lula reúne-se em almoço político com os líderes dos partidos aliados e os da oposição, para tentar reatar namoro. Um deles Antonio Carlos Magalhães, que se rebelou porque Lula mandou vários ministros à Bahia, para fazer campanha petista, e o candidato de ACM perdeu. E não por mérito dos enviados presidenciais mas pelos próprios maus fados do babalorixá. Ter o líder baiano neutro é bom, tê-lo a favor é bem melhor, mas tê-lo contra é desastroso. O custo do reatamento agora desejado por Lula, com eles todos, será elevado, porque com toda certeza tal não acontecerá graciosamente. Governadores do PMDB, também ressentidos, resolveram endurecer e assumir uma posição de mais independência, e se as coisas não iam bem com o apoio dos aliados o que o presidente não pode dispensar se deseja governar e ver aprovados os seus projetos e MPs agora ficarão piores, pelo menos temporariamente. Por conta dos descuidos presidenciais, votações importantes ficam paralisadas no Congresso. Entre elas 21 medidas provisórias, incluindo a que faz ministro o presidente do Banco Central; a Lei das Falências, já aprovada pelo plenário do Senado e que permite aos empresários negociarem um plano de recuperação com todos os credores; o projeto que trata de clonagem e de transgênicos, aprovado pelo Senado e que volta à Câmara; o assunto das agências reguladoras e o poder dos seus diretores; a questão do trabalho escravo, já em segunda votação; o polêmico projeto de lei das parcerias públicas, que permitiriam ao governo e à iniciativa privada explorarem serviços de natureza pública, como rodovias, água e esgotos e outros; e a reforma do Poder Judiciário, há 12 anos tramitando pelo Congresso. Os parlamentares das duas Casas que há três meses nada fazem, embora não dispensem os ganhos são manhosos e estão insatisfeitos também pelo atraso na liberação das verbas correspondentes às emendas ao orçamento, propostas por eles. Como os interesses nacionais são secundários para a maioria dos políticos, importando mais os acertos e a mais-valia das conveniências individuais e partidárias, o povo que espere, até que os governantes se acertem!

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