TEMPO DESREGULADO Clima 'louco' faz agricultor perder controle do tempo
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segunda-feira, 25 de novembro de 2002
Ana Setti<br>Reportagem Local 
Nada é mais como era antes, tanto no que diz respeito ao clima, quanto no que se refere à previsão que se faz sobre ele. Na ''roça'', era comum observar de que lado o João de Barro construiria sua casa. Se, ao contrário do esperado, ele a fizesse ''com vista'' para a chuva, podia-se esperar grandes tempestades naquele ano. Também seriam sinais garantidos de chuva iminente cavalos que começam a correr sem rumo e sem motivo aparente pelo pasto, a algazarra de bugios na beira do rio, o apito do macuco, o aumento súbito do número de mosquitinhos insolentes e outros mais que, como asseguram os antigos, sempre funcionavam.
Hoje em dia, no entanto, o homem do campo fica com um olho nos ''sinais'' e outro, mais atento, na previsão meteorológica divulgada pelos veículos de comunicação ou pelos institutos especializados, nem sempre se satisfazendo com os resultados. Como diz Everson Casagrande, produtor de soja em Sertanópolis: ''Dos dois jeitos, os acertos costumam ficar em torno de 70%''. Já José Del Monaco Neto, produtor de milho no Distrito de São Luiz, em Londrina, declara-se fã da previsão ''oficial'' que, em sua opinião, ''falha menos''. Zezão, como é mais conhecido, não costuma se assustar com as mudanças súbitas do clima, mas reclama: ''A gente investe muito no plantio e, se o tempo não cooperar, fica difícil!'' Pior do que as oscilações do tempo, contudo, ''é o descaso de nossos governantes''.
Ao que tudo indica, este fim de ano e começo do próximo, Zezão e Everson que prefere enfrentar chuva do que seca, ''especialmente na época do plantio'' ficarão satisfeitos. A previsão do Simepar (o sistema meteorológico do governo do Estado) para o período, de acordo com o pesquisador Marcelo Brauer, ''é de um maior regime de chuvas, com a ocorrência de vendavais, por causa da passagem contínua de frentes frias pela região, em contrapartida a um intenso aquecimento no decorrer do dia''. O El NiÀo, segundo Brauer, está em atuação desde junho, o que torna até mais fácil a previsão, ''pois seus efeitos são muito mais marcados''.
Independentemente de sinais ou previsões, no entanto, a referência do homem do campo é sempre a produção agrícola. ''Este ano esteve tudo bem em termos de clima'', confirma Zezão, que conseguiu plantar com tranquilidade e está esperançoso com a próxima colheita. No dia-a-dia, porém, as mudanças incomodam. ''As temperaturas estão loucas'', comenta Zezão, lembrando do ''calor quase insuportável'' dos últimos dias. Em sua opinião, ''tudo é culpa do ser humano que, desse jeito, vai acabar destruindo a si mesmo''. Nesse sentido, vale lembrar o efeito estufa o aquecimento anormal da superfície da Terra , recentemente associado, pela comunidade científica mundial, à atividade humana e que vem provocando mudanças, mesmo que não tão perceptíveis ainda, no clima do Planeta. Os registros no Paraná, por exemplo, como informa Marcelo Brauer, do Simepar, ''indicam que a temperatura média subiu 0.5 grau centígrado nas últimas três décadas''.


