Tempo de mudança
Com um crescimento surpreendente, Alexandre Kireeff (PSD) encerrou o segundo turno das eleições eleito prefeito de Londrina. Iniciou a campanha praticamente desconhecido do público, com apenas 3% das intenções do eleitorado; terminou com 141.027 votos válidos, atingindo 50,53% do total, segundo a consolidação do Tribunal Superior Eleitoral. O resultado das urnas indica que os londrinenses desejam mudança. Significa que os eleitores acreditaram no discurso do rompimento com a política tradicional, da eficiência no setor público e da gestão técnica.
Apesar disso, não se pode deixar de afirmar que o resultado das urnas indica um certo equilíbrio. A diferença entre Kireeff e Marcelo Belinati (PP) foi de apenas 2.978 votos, dentro de um colégio de 360.568 eleitores. Além disso, 67.616 pessoas não compareceram às urnas, enquanto 9.032 anularam o voto e 4.844 votaram em branco. Somando abstenções, nulos e brancos 81.492 pessoas - 22% do total de eleitores - deixaram de votar.
Passado o resultado, o momento pede união. Os eleitores optaram pela promessa de um novo modelo de gestão, agora é de se esperar maturidade política de lideranças para que, de fato, seja construído um novo cenário para Londrina. As turbulências registradas no último mandato municipal precisam ser esquecidas e passadas a limpo. Os escândalos de corrupção - que culminaram na cassação de Barbosa Neto (PDT), na renúncia de Joaquim Ribeiro (sem partido) e na prisão de vereadores, empresários e membros da administração municipal - não podem mais fazer parte da história de Londrina.
Talvez esse ''trauma'' recentemente vivido pelos londrinenses tenha ajudado na construção da vitória de Kireeff. O empresário que não tinha rejeição entre o eleitorado soube explorar bem esse momento. Apresentou-se como novidade e foi aceito pela população. Espera-se que a Câmara de Vereadores também tenha maturidade política no relacionamento com o Executivo. Kireeff - eleito com chapa pura - não terá nenhum vereador do seu partido na próxima legislatura. No entanto, esse fator não deve ser impedimento à sua governabilidade. O Legislativo também terá que se comprometer com o bem da cidade. O novo jeito de fazer - e pensar - a política também deve chegar à Câmara.





