Ódios e vinganças à parte, os pefelistas pensam seriamente em hibernar na primeira fase da disputa presidencial. Especialmente se o Supremo Tribunal Federal disser que partidos com diferentes candidatos a presidente da República não podem se unir nos Estados, mantendo a interpretação do Tribunal Superior Eleitoral. Nesse caso, o PFL prefere ficar livre para seguir com o PTB no Rio Grande do Norte, com o PSDB em Pernambuco e São Paulo, o que sempre fez na busca de vagas na Câmara.
As razões para a hibernação pefelista são inúmeras. Primeiro, nenhum dos noivos agrada a uma expressiva maioria dentro do partido. José Serra (PSDB), Ciro Gomes (PPS), a nova onda Anthony Garotinho (PSB) ou a antiga Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nenhum reúne hoje dois terços dos pefelistas.
Como terá que conviver com um deles no ano que vem, que seja da melhor forma possível: com poder. E poder, para os pefelistas em 2003, só mesmo via Congresso com uma grande bancada. Esse é o jogo que mais interessa ao partido hoje. É o que o PFL tentará fazer quando cicatrizar suas feridas, baixar a poeira. E, acima de tudo, trazer de volta a frieza alem㠖 marca do comando partidário de Jorge Bornhausen – meio turvada pelo emocionalismo que caracterizou a saída do governo e a obstrução no Congresso, ambas decididas em meio às cobranças de Roseana Sarney.
Por isso, os afoitos que se preparem. O PFL quer o mingau da eleição morno, quase frio. Por isso, vai enrolar todos os candidatos por pelo menos 30 dias. Só estudará seguir com Ciro se o STF liberar a salada partidária nos Estados. Afinal, da trinca PPS-PDT-PTB, só o PTB é próximo ao PFL. Ciro, mesmo empolgado com os acenos pefelistas, teme por seu discurso de oposição no caso de uma aliança. Sobram Garotinho – considerado populista demais pelos pefelistas – e Serra, de quem o PFL da Bahia e do Maranhão querem distância.
Para completar, ainda não é possível dizer quem estará num segundo turno contra Lula. E enquanto não tiver um vislumbre de onde vai chover, o PFL fará o papel da moça rica que perdeu a sua fortuna, mas, em compensação, tem toda uma educação tradicional – no caso, uma bancada unida e disciplinada – para oferecer a um noivo capaz de lhe dar uma vida de conforto.
DENISE ROTHENBURG é jornalista em Brasília

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