Tempo de greve
Ano eleitoral e as várias categorias de servidores públicos aproveitam o momento para exercer pressão. Professores das universidades federais, policiais rodoviários, policiais federais, funcionários do Incra, da Agência Nacional de Transporte Terrestre, IBGE, Anvisa, além de profissionais ligados aos ministérios da Agricultura e do Abastecimento, Saúde, Desenvolvimento Agrário estão mobilizados. Docentes e servidores da UEL também paralisaram atividades por um dia e apresentaram indicativo de greve para a próxima semana. Também foi registrada paralisação dos educadores sociais do Cense. As reivindicações são, no geral, por melhores salários, novas contratações e valorização profissional.
Todas as categorias alegam tentar negociar há anos e não obtêm resposta do governo. De fato, este é o momento de negociação. Com foco nas eleições, dificilmente um governante quer se indispor com a opinião pública e arcar com o desgaste de uma greve. Vale ressaltar que o direito de paralisação é legítimo e está previsto na Constituição Federal. No entanto, uma mobilização sempre acaba por prejudicar a população ou os contribuintes, responsáveis indiretos pelos salários dos servidores e pelo funcionamento da máquina pública.
É fato que a maioria dos servidores públicos não obtém reajuste anualmente, como os trabalhadores do setor privado. Também não é novidade que há deficit de colaboradores em muitos órgãos governamentais. Não se trata de defender o inchaço da máquina pública, mas de garantir eficiência e agilidade à prestação dos serviços. Também é importante acrescentar que é preciso uma fiscalização maior na qualidade dos serviços oferecidos à população e no trabalho realizado pelos servidores. Do mesmo modo em que há profissionais bons e maus em todas as categorias, o mesmo ocorre na classe pública. A sensação de não haver ''patrão'' e a falta de aferição na qualidade do trabalho acaba por gerar um serviço ruim. Torna ainda a máquina pública pesada e de alto custo. É preciso garantir boas condições de trabalho ao funcionalismo público, mas este também tem que dar a sua parcela de contribuição e garantir eficiência à população.





