À véspera da eleição, o brasileiro precisa despertar a atenção para um Governo que manteve impostos elevadíssimos justamente para a classe mais pobre, parte da qual esse mesmo Governo acaricia com a benesse eleitoreira da Bolsa Família. São as pessoas com menos recursos as que mais pagam imposto neste país, e elas não o percebem porque uma enorme carga tributária é invisível e está embutida nos preços das mercadorias. São os tributos conhecidos como IPI, ISS, Cofins, PIS e ICMS, afora os demais encargos que todos os brasileiros pagam e que formam uma lista extensa. O Governo do populista Luiz Inácio Lula da Silva não diminuiu esse fardo - mas ao contrário, teve sua contribuição em aumentá-lo - e hoje as famílias de baixa renda pagam 73% a mais, ou quase o dobro, do que pagavam dez anos atrás. De quem ganha apenas dois salários mínimos o Governo abocanha 49%, para custear seus serviços e obras mas também para alimentar superfaturamentos, gastos desnecessários, luxos e no geral a corrupção, que campeou solta na gestão petista - que está encerrando o mandato mas quer voltar ao poder. Os números são da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da Universidade de São Paulo, e mostram que a transferência de renda dos pobres para o Governo atinge 64,1 milhões de brasileiros dentre os 81 milhões de ocupados. Essa carga submersa de impostos, pagos pelo consumidor, subiu na última década de 26,5% para 45,8% da renda das famílias que ganham até dois salários mínimos. Desencanta constatar-se que isto não mudou com a presença no poder de um Governo dito popular, cujo comandante emergiu da classe operária e com a promessa de acabar com os excessos, mas nada acabou e sim piorou. É fácil sangrar a classe dos consumidores - que são todos os brasileiros - porque eles não percebem o quanto estão pagando de impostos. (Em boa hora promove-se um movimento entre as classes empresariais para que tais impostos sejam revelados claramente, na embalagem dos produtos, o que ainda assim não será uma garantia de diminuição da ganância arrecadadora). Já tem sido dito à exaustão que o brasileiro, em média, trabalha quase cinco meses ao ano para o Governo, em forma do que paga em impostos e contribuições de toda a natureza. Por isso há tanta miséria social no Brasil e existem os programas assistencialistas, que se converteram em necessários, diante da fome crônica e inadiável, mas são também valiosos instrumentos para a conquista de votos numa nação de baixa conscientização política.

mockup