Temor de aftosa no PR alarmando pecuária
A notícia não podia ser mais alarmante: a suspeita de que a febre aftosa bovina possa ter chegado ao Paraná. Os animais sob observação vieram de Mato Grosso do Sul onde foi detectada a infecção, duas semanas atrás e passaram pelos leilões da Eurozebu, realizada no começo do mês em Londrina, encontrando-se agora em fazendas de Maringá, Loanda, Grandes Rios e Amaporãá. Por determinação da Secretaria de Agricultura e Saneamento, esses lotes ficaram retidos no Paraná, porque a presença desse gado coincidiu com a ocorrência da doença na região de Eldorado, no vizinho Estado. E ontem o Ministério da Agricultura e Pecuária constatou a existência de novos focos, em Mato Grosso do Sul, o que obrigará ao exterminío de mais 7 mil animais. A aftosa é fruto da irresponsabilidade dos governos. Se fazendeiros negligenciaram é porque não foram devidamente fiscalizados por órgão oficial. Faz dez anos que o Paraná não registra casos de aftosa, e seus 10 milhões de exemplares ainda figuram como da mais pura sanidade um quadro que, em pricípio, não se altera até que se aclare a suspeição. Mas a notícia dessa possibilidade, oficialmente divulgada ontem em entrevista à imprensa pelo secretário Orlando Pessuti, que se baseou em sintomas observados por criadores e veterinários, põe em estado de tensão todos os pecuaristas paranaenses. Já havia um clima de inquietação, provocado pela localização da febre bovina em fazendas sul-mato-grossenses, e ontem o alarma de que o gado que entrou no Paraná poderia estar contaminado disseminou-se rapidamente, porque há rebanhos, grandes ou pequenos, em todos os municípios. A febre aftosa ocorre apenas em animais de casco aberto e manifesta-se por afta e salivação, o que, além da indisposição pelo estado febril, os impede de alimentar-se. Estes são os sinais da moléstia, e as suspeitas se baseiam, inicialmente, em aparências desse gênero. Há cura para essa febre, mas se o mal se alastra, fica mais difícil tratar de grandes rebanhos e o Brasil tem 200 milhões de cabeças, só de bovinos. O consumo da carne não atinge as pessoas, mas os compradores estrangeiros a recusam, por isso os mercados do mundo suspenderam as importações do produto brasileiro tanto o de origem bovina como a suína e por extensão o frango. A retenção dos animais sob suspeita, que ora acontece, faz parte dos procedimentos da Secretaria da Agricultura, que desde a primeira hora duvidou da afirmação do Ministério da Agricultura de que a doença estava sob controle. O mal desses casos de suspeição é que a notícia chega imediatamente aos consumidores tradicionais e potenciais de todo o mundo, e robustece a rejeição, o que significa monumental prejuízo não só para os pecuaristas e exportadores, mas para a economia brasileira, pela queda de equilíbrio da balança externa de compra-e-venda.





