No ultimo dia 25 de março, o Grupo Folha promoveu mais uma edição do EncontrosFolha, com um tema muito contemporâneo: "Qualificação de mão de obra como fator de desenvolvimento regional". Quem teve a oportunidade de participar pode presenciar um debate qualificado com profissionais de alto nível.
O palestrante principal - Sigmar Malvezzi, um psicólogo renomado e conhecido em diversos países pela competência na discussão do mote em questão - apresentou de forma muito esclarecedora as contradições que hoje estamos vivenciando no mercado de trabalho, no que se refere à mão de obra.
Com oratória clara e precisa, ele discorreu sobre as transições da competência profissional, que se configurava de uma forma nos anos 1990 e na atualidade é vista completamente diferente, pois sempre está em transição.
Mostrou que nenhum profissional é completo, assim como as instituições, sendo necessários vários pontos de vista para atender uma única demanda, que deve estar pautada na resolução do por que e não do que fazer.
Toda a discussão nos remete à necessidade da qualificação da mão de obra que já esta colocada no mercado de trabalho, sendo essencial o setor publico e privado investirem em treinamentos e aperfeiçoamento do seu quadro de colaboradores.
Mas é imprescindível focar na mão de obra que ainda não entrou no mercado de trabalho, essa é um potencial a ser formado para o desenvolvimento social e econômico da nossa região.
Passando este tema para a realidade do nosso município e região, verificamos que somente a médio e longo prazo é possível visualizar essa meta, porem é urgente a necessidade de ações rápidas.
Nos últimos anos, verificamos um aumento considerável de inclusão da classe C e D em cursos de nível superior. Porém, este fato não significa necessariamente qualidade na formação da mão de obra. A superficialidade dos cursos à distância, a falta do tripé ensino, pesquisa e extensão, entre outros fatores, resulta em profissionais que não saem qualificados para a atender a demanda imposta pelo mercado.
Esta é somente uma face do problema, conforme dados do IPARDES, apresentado no Encontros: 49% da população paranaense não possui grau de instrução ou têm somente ensino fundamental incompleto. E ainda verificamos o analfabetismo funcional, existindo inúmeros adolescentes que chegam ao ensino médio com grandes dificuldades em ler e escrever.
Para chegarmos ao resultado de mão de obra qualificada, precisamos investir na base, desde o acesso da criança à educação infantil, à escola de tempo integral e aos projetos sociais no contraturno escolar.
Somente com uma série de medidas será possível qualificar de fato a mão de obra, que em sua maioria é proveniente de classes subalternas que não tem acesso ao um ensino que fomente o que o palestrante denominou como "habilidades natas do ser humano", como a memória e a imaginação que, segundo o mesmo, são podadas ao longo da vida, em muitos indivíduos.
Como bem dito durante o evento, devemos ter sonhos e imaginação. Queremos e podemos sonhar com uma região próspera e que atraia grandes indústrias e empresas. Com a colaboração do público e privado, isso é possível. O grande desafio é transformar a estrutura de ensino existente, que envolve fatores sociais e lacunas da própria educação. Diante deste contexto, a discussão promovida pelo Grupo Folha se torna essencial para desdobramentos e medidas de curto, médio e longo prazo, no âmbito do poder público e privado.

Jacqueline Marçal Micali, gestora de pessoas e projetos sociais




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