Tem água na piscina?
E que ninguém imagine que Tasso Jereissatti terá problemas na sua candidatura eventual à Presidência da República porque é desconhecido em São Paulo e em Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do País. O dinheiro faz milagres. Transforma um João-ninguém em figura mais comentada da cidade. Depois, Tasso é conhecido por quem interessa os empresários e as pessoas que estão no timão e para chegar no eleitor são dois pulos.
Mas a verdade é que o lançamento do nome do governador cearense por Mário Covas deixou aturdidos os caciques tucanos, principalmente os de São Paulo, que já tinham esquemas para colocar na rampa de lançamento o nome de José Serra. Sabe-se até que Serra foi reclamar para Fernando Henrique, que teria lhe dito que não podia fazer nada. Hoje em dia, a palavra de Covas no tucanato tem mais força do que as tábuas da lei.
Várias foram as interpretações dadas para a atitude de Covas. Mas talvez a que mais se aproxime da verdade seja que esse foi um movimento para tirar de Tasso a imagem de que ele é um candidato cacifado por Antônio Carlos Magalhães. Agora ele leva também a chancela no peito do mais respeitado integrante do PSDB, afinal o partido que se diz da social-democracia.
Agora, é muito tempo para um candidato ficar exposto a chuvas e trovoadas. Esse tipo de coisas não dá certo, porque seguramente Tasso iria receber bordoadas da oposição, como seus próprios companheiros de partido iriam tentar solapar a sua caminhada. Ninguém fica sozinho candidato, por dois anos, sem que aconteça nada. Isso não existe.
Eis então que chega a ajuda providencial de Jorge Bornhausen, presidente do PFL. Ele lançou o nome de Armínio Fraga, o presidente do Banco Central, para se contrapor a Tasso. Bornhausen poderia ter lançado qualquer um até Gustavo Kuerten, o Guga, que é da terra do presidente pefelista. Não importa. O jogo de Bornhausen não é mesmo lançar um nome forte para a Presidência. O jogo é mostrar que Antônio Carlos Magalhães é uma grande parte, mas não é todo o partido. E mais ainda que não existe uma fusão automática do PFL ao candidato a qualquer candidato tucano. As coisas não são assim. É preciso muita conversa e, o principal: saber o que cabe ao PFL nesse latifúndio. O partido pode até mergulhar nessa piscina, mas antes quer saber se, dentro dela, tem água.
Só que com essa história Bornhausen acabou prestando um grande serviço para Fernando Henrique e porque não para o próprio Tasso Jereissatti. O seu movimento foi para indicar que nada ainda está decido. O nome de Tasso foi apenas mais um que foi lançado. Com isso ele deixa de ser o saco de pancadas preferencial da oposição e dos próprios governistas. A manobra de Bornhausen também tira Fernando Henrique da incômoda posição de ver o seu governo esvaziado com o lançamento de um nome dois anos antes de acabar o seu mandato. Nesse sentido, o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, também ajudou ao dizer que seu partido, o PMDB, prefere Serra a Tasso. O importante não é saber quem prefere quem. O importante é embaralhar novamente o jogo para que a situação não fique perigosa para um candidato e, principalmente, para o governo.
Muito bem, diante desse quadro onde está a oposição? Está onde sempre esteve se fingindo de morta porque não tem nada a ver com as intrigas do governo e dos seus aliados. Mas a verdade é que a oposição está excitadíssima. Ciro Gomes está cercado por um cordão de isolamento para nem pensar em abandonar a luta, mesmo se seu amigo fraternal Tasso Jereissatti sair mesmo candidato. Ciro é a opção de várias correntes, inclusive a dos descontentes do governo. Agora o PPS, o partido de Ciro, caminha celeremente para fazer arranjos com o PTB, do prefeito eleito do Rio de Janeiro, César Maia. O PTB não tem boa reputação na praça, mas tem tempo na televisão, que é o que importa.
Do outro lado está Lula, mais sorridente do que nunca, principalmente depois da sua temporada em Varadero, na riviera cubana. Lula sabe que com as prévias, que serão feitas pelo PT para indicar o candidato à Presidência do partido, seu nome será consagrado. Isso mesmo, porque a consulta vai abranger todo o PT, não só a direção. E dessa forma quanto mais disputantes melhor. Seria interessante que o jogo não se restringisse só a Eduardo Suplicy e Cristovam Buarque. O bom seria que mais gente entrasse na prévia para perder de Lula e consagrá-lo como a única unanimidade dentro do partido. E assim legitimá-lo como o grande candidato do maior partido da oposição. Para perder, talvez, pela quarta vez a eleição. Mas essa já é outra história.
- FERNANDO JOSÉ DIAS DA SILVA é jornalista em São Paulo





