TELEVISÃO - Vale tudo na briga pela audiência
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de agosto de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Informativa, popular, controvertida e polêmica. Presente em quase todos os lares brasileiros, a televisão mistura o amor daqueles que não perdem um capítulo da novela com o ódio de quem critica a qualidade da programação.
Entre as críticas, uma das principais é a eterna fórmula do ''nada se cria, tudo se copia''. Na opinião de Neusa Maria Amaral, doutora em Jornalismo, Mercado e Tecnologia, ''as pessoas querem retorno rápido. O problema é que copiam o que é ruim''.
Existe um meio termo entre qualidade de programação e índice de audiência?
Deveria existir, mas na TV brasileira não existe. Essa concorrência, ainda mais agora com a escalada da Record e com esse caça-níquel que virou a TV aberta, está no auge. Não existe uma preocupação de somar qualidade com índice de audiência. O que existe é vencer a concorrência e subir nesses índices, usando qualquer arma, o que é lamentável, porque a TV aberta é uma concessão pública.
Até que ponto o crescimento de outras emissoras é salutar e onde pode ser prejudicial?
Em termos de mercado de trabalho é salutar, principalmente das redes, porque são abrangentes. É interessante que, com esse crescimento, existe uma captação maior do que acontece no local. O problema é justamente essa concorrência a qualquer preço para conseguir o índice de audiência, que baixa a qualidade da programação.
Por que a máxima ''nada se cria, tudo se copia'' continua tão presente na TV?
Porque é muito difícil você ter aquela idéia nova e fazer. As pessoas querem o que dá retorno rápido. Se você fez um bom projeto, colocou no ar e deu retorno, as pessoas vão copiar. O problema é que copiam o que é ruim, não o que é bom. O que é bom sob o ponto de vista da cidadania, de direitos, de cultura, enfim.
A volta dos quadros antigos e remakes de novelas é mais uma prova da falta de criatividade?
Eu acredito que seja mais uma prova de se apostar naquilo que deu certo. Nós trabalhamos muito hoje em cima do tempo, rapidez de retorno. Em razão disso, optamos por aquilo que já fez sucesso, que deu certo. Isso está acontecendo também no cinema americano de uma forma geral. Eles também estão para o remake, porque aquilo deu certo. O que é ruim, claro, por que não se renova. Hoje vivemos uma realidade diferente, por exemplo, da época em que passou Pantanal pela primeira vez.
Isso não é um risco, já que as pessoas mudaram nesse período?
É uma aposta. O Brasil é enorme. E por menos que você tenha uma audiência, dois pontos para uma TV de rede nacional está ótimo. Tem programas que dão traços de audiência. Colocaram uma novela que foi ao ar em 1980, era uma outra linguagem, um outro momento, e está tendo audiência, por quê? Porque ainda tem uma parcela da população que não acompanhou essa mudança esses anos todos.
Qual o futuro da TV frente ao crescimento da popularidade de sites como o You Tube?
O futuro da TV é ir para a internet, tanto que ela já está na Rede. O futuro é justamente se adotar uma linguagem multimídia, uma linguagem em que todos os meios estão convergendo. Durante alguns anos, em decorrência do poder aquisitivo da população, nós ainda vamos manter essa divisão das mídias tradicionais. Mas a grande idéia é que você tenha tudo convergente. A televisão vai ser uma mídia mundial e atemporal. Não precisa mais ficar na frente do televisor às 9 horas para assistir a novela. Eu entro no site, vou pagar por isso mas vou assistir o capítulo da novela a hora que eu quiser.


