Telefonia móvel
O aumento do número de linhas de telefones celulares está diretamente ligado à qualidade do serviço das operadoras. No mês passado eram cerca de 256,1 milhões de linhas móveis habilitadas (segundo estatística da Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel) contra uma população estimada em 190,7 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os brasileiros foram atraídos pela praticidade, pelo conforto e pelos planos pré-pagos da telefonia móvel mas, no geral, as operadoras não responderam com a melhora dos serviços.
Dados da Anatel indicam que, no Brasil, 4,6 mil usuários utilizam uma antena; nos Estados Unidos a relação é de 1 mil linhas por antena; no Japão é de 400. Voltando ao País, a pior situação é encontrada na Bahia, onde essa relação é de 6.768. Já o melhor cenário está no Rio Grande do Sul, com 3.514 linhas por antena. No Paraná é de 4,1 mil. Números bem distantes da realidade internacional. Outro fator de interferência é a conexão das antenas às centrais. As operadoras ainda não trocaram toda a estrutura de cabos por fibras ópticas. Também cabe salientar que as empresas de telefonia não são as únicas responsáveis pela má qualidade. Em muitos casos, a expansão fica comprometida devida à interferências municipais na instalação de antenas, o que costuma demorar anos.
No entanto, a decisão da Anatel de proibir Oi, Tim e Claro de venderem chips em alguns Estados é positiva porque força as operadoras a apresentarem planos de melhorias. É uma medida necessária porque há anos as empresas de telefonia lideram as reclamações nos órgãos de defesa do consumidor. Segundo o Tribunal de Contas da União, as teles foram as responsáveis pela maioria das queixas entre os anos de 2006 a 2010. O número registrado foi três vezes maior do que as denúncias contra o setor de energia, por exemplo.
A obrigação de apresentar projetos de expansão e melhoria pode indicar uma nova fase na prestação dos serviços e na fiscalização. Sinaliza aos usuários, por exemplo, que o governo acompanhará mais de perto a execução do serviço. Agora se essa medida será suficiente para que os usuários tenham efetivamente uma melhora na telefonia móvel só o tempo responderá.





