Telefone popular caro, embutindo imposto
Ao disponibilizar o telefone popular, que as companhias telefônicas deverão oferecer obrigatoriamente a partir do ano que vem, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dá com uma mão e tira com a outra. Porque esse novo serviço terá assinatura básica mensal baixa, porém tarifa mais alta para as ligações. Pelo que isso indica, sairá mais caro o molho do que o peixe. Ademais (e isto é o que as operadoras reivindicam), o assinante de telefone convencional terá de arcar com um subsídio para compensar essa benesse aos cidadãos de baixa renda. AICE, ou Acesso Individual de Classe Especial, é o nome desse novo produto, que visa proporcionar telefonia também aos brasileiros pobres. Esse telefone ''genérico'' poderá ser requisitado por todas as demais pessoas que o desejarem, mas não tem nada de alternativo, porque cobrará mais pelo impulso, e, de sua vez, quem já é assinante terá também a tarifa elevada para ''financiar'' o novo lançamento. Ao final das contas, quem ganhará será o sistema telefônico, porque o tal AICE será mais um fonte de receita, embora abra a possibilidade de mais pessoas usufruírem desse meio de comunicação. Ou ao menos de assiná-lo, sem o exagero de exceder-se nas chamadas, porque o custo da tarifa será dobrado. Aparentemente, um ''presente de grego''. Ao invés de programas de maior alcance social, nas áreas de saúde, educação, segurança, moradia, alimentação, o Governo dá telefone ao pobre, obrigando-o dessa forma a assumir um encargo mensal com um novo gasto. Com o adicional de um novo imposto, que é o acréscimo na tarifa também dos usuários já existentes. Todos têm direito aos bens que a tecnologia oferece, mas esta não é uma prioridade das classes mais carentes. O que a Anatel faz ao criar esse invento, está dentro de suas atribuições, que é o de disseminar os benefícios da telecomunicação, mas na verdade cria mais uma sangria. O Governo não vai tirar de sua gorda receita, nem diminuirá seus gastos com as coisas supérfluas, nem diminuirá seus desperdícios, para cobrir os custos dessa ''generosidade''. Estas são as ''grandes'' soluções do sistema oficial, pródigo em inventar modas, desde que o custo saia do bolso do povo, incluindo os cidadãos que, mesmo não adquirindo o novo serviço, poderão ter de pagá-lo, indiretamente. O usuário comum tem de rejeitar de pronto esse achaque, que, se aprovado, virá atingi-lo. Isto caracteriza mais um cumprimento do Governo com chapéu alheio.





