O presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, garante que não vai obrigar ninguém a mudar. Ele diz que as famílias que aderiram ao PSH podem desistir do contrato mas que nunca mais vão conseguir financiar casa própria com recursos do governo federal. E mais cedo ou tarde todas terão que sair do local porque a lei proíbe qualquer tipo de construção em fundos de vale. ''Essas pessoas nunca vão ter uma escritura do terreno, nunca vão ter nenhuma benfeitoria naquele lugar, nunca vão poder ter água e luz instalados, nunca vão ter endereço'', lembra. Cerca de 300 pessoas esperam a vez na fila do PSH e não vai ser difícil encontrar outros candidatos para as casas do Jamile Dequech.
A Cohab está gastando R$ 2,1 milhões na construção de 264 casas de 29 metros quadrados. As primeiras unidades ficam prontas no mês que vem e, até o fim do ano, todas serão entregues. A prestação é de R$ 28,50. ''Só entrego a chave da casa quando a família me entregar o barraco. A Cohab destrói o barraco e a família muda para a casa nova'', teoriza Afonseca. A idéia era desmontar várias invasões, recuperando e urbanizando os fundos de vale. Não deu certo. Para participar do PSH há uma exigência os cadastrados precisam ter RG e CPF. Muita gente não tinha nem certidão de nascimento. ''Como tínhamos prazo para usar o dinheiro, o jeito foi ir cadastrando uma família aqui, outra ali, até completar o número de beneficiados'', lamenta Afonseca.
Por isso, a construção das novas casas não vai significar o fim de nenhuma ocupação irregular em Londrina. Mesmo os barracos derrubados sempre podem ser substituídos por outros. Mais de cinco mil pessoas estão na fila da casa própria em Londrina. A Cohab também sabe que há moradores que negociam casas e barracos: ''Os direitos de um barraco chegam a valer R$ 1,5 mil, em média, e tem gente que vende o direito antes mesmo de mudar'', reconhece o presidente da Cohab. P.F.

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