Tecnomusic: o bate-estaca
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de dezembro de 2002
Osvaldo Castagna Filho 
Imaginem um ambiente psicodélico (extravagante) com várias luzes, algumas inclusive à laser com o som a níveis acima do tolerado pelo ser humano, muitas pessoas fumando cigarro, outras talvez fumando outras drogas excitantes, num ritmo alucinante e hipnotizante. Se você imaginou, este é o ambiente de danças e peripécias (brincadeiras) embaladas por um som chamado tecno e você acertou, pois essa é a coqueluche do momento para a juventude atual.
Algumas pessoas odeiam, outras são indiferentes, umas gostam e outras são completamente apaixonadas por essa versão musical tecnológica do século XXI. O tecno pode deixar a pessoa em movimento; dá agilidade e destreza aos seus movimentos, incorpora noções de potência e alegria frente à vida e pode fazer balançar uma multidão inteira, como a parada alemã, regada a tecno, que acontece uma vez por ano na Alemanha e atrai jovens de todo o mundo. O problema central dos adeptos dessa música, porém, seriam as drogas estimulantes da atividade cerebral, cujo mais conhecido representante é o ecstasy, que lembra êxtase em inglês, e é usada por vários adolescentes como estimulante para as batidas do tecno, podendo levar à morte em curto espaço de tempo ou causar morte súbita durante as baladas adolescentes: uma droga estimulante do sistema nervoso central que causa euforia e agitação psicomotora.
O tecno é produzido por uma sequência rítmica chamada bate-estaca, pois ele bate sonoramente e estaca, como se estivesse ''encravando'' uma estaca no solo, e nesse momento há uma pausa de milésimos de segundos, e depois se repete as batidas características daquele som. Temos estilos diferentes de tecno, para diferentes gostos e diferentes grupos. Na capital paulista temos os chamados clubbers, que frequentam boates que começam a funcionar às cinco horas da manhã do domingo, o que pode ser considerado um excesso para outros expectadores menos envolvidos.
Apesar de ser algo contagiante, alguns psicólogos sinalizam que este tipo de música acelera perigosamente as ondas cerebrais e conduz os indivíduos adeptos a um estado emocional onde todos fazem parte da mesma massa, e começam a sentirem-se iguais entre si, não respeitando as diferenças e as características de cada indivíduo. Outros psicólogos assinalam que este tipo de música é o avesso da intelectualidade, que faz com que se iniba as atividades intelectuais para atender ao princípio do prazer, atender os impulsos agressivos e sexuais que passam a comandar o desejo de forma alienante e ilusória.
OSVALDO CASTAGNA FILHO é psicólogo em Tupi Paulista (SP)


