Tecnologia versus língua culta
Como fazer para que a era das abreviações e dos emojis não ameace a Língua Portuguesa tradicional?
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 2025
Como fazer para que a era das abreviações e dos emojis não ameace a Língua Portuguesa tradicional?
Folha de Londrina 
Durante meus anos como estudante universitário no curso de Letras, tive uma professora, Mona Mohamad Hawi, que sempre dizia: “a língua é viva”.
Com o passar do tempo — e, principalmente, com o avanço da tecnologia e as mudanças na forma como nos comunicamos — essa afirmação tornou-se cada vez mais evidente. Afinal, é muito comum recebermos mensagens de texto carregadas de abreviações, emojis, figurinhas e outros elementos que, à primeira vista, parecem destoar completamente da norma culta da língua portuguesa.
Diante desse cenário, surge uma questão essencial: até que ponto essas transformações podem ser encaradas como naturais, sem representar uma ameaça ao uso formal e tradicional do idioma?
Particularmente, não vejo essas transformações como uma ameaça, mas sim como um novo padrão, uma tendência que precisa ser compreendida e aceita. A única ressalva que faço, não apenas como usuário e até adepto desse estilo de escrita, mas, sobretudo, como professor de língua portuguesa, é a importância de entender que abreviações, emojis e outros recursos devem ser restritos à comunicação informal.
É fundamental termos consciência, e orientar os mais jovens nesse sentido, de que a formalidade linguística deve ser preservada sempre que a situação assim exigir. Como bem afirma Luiz Antônio Sacconi, “falar ou escrever bem é saber adaptar a linguagem à situação”.
Concluímos, portanto, que escrever bem não significa apenas dominar regras, mas, acima de tudo, saber adequar a linguagem ao contexto e ao interlocutor. Em meio às transformações trazidas pela tecnologia, torna-se ainda mais necessário reforçar o valor da norma culta, não como forma de excluir, mas como ferramenta de expressão qualificada. Estimular a leitura, a escrita e o uso consciente da língua é, hoje, um gesto de equilíbrio entre tradição e inovação — e uma responsabilidade de todos nós.
Alex Costa, professor de Língua Portuguesa do Colégio Presbiteriano Mackenzie, unidade Tamboré
Sebastião Salgado
Sebastião Salgado deixa um legado extraordinário quanto suas obras artísticas, de reconhecimento Internacional. Um fotógrafo à frente de seu tempo. Viveu da arte, da lente de uma máquina fotográfica, sendo um parceiro imprescindível na defesa do meio ambiente.
Célio Borba, aposentado


