Tecnologia quebra resistência
As crianças parecem nascer sabendo mexer com o computador. Os jovens crescem ''surfando'' todas as ''ondas'' tecnológicas que passam. Os adultos e inclusive os idosos, embora com dificuldades para entender e se adaptar às mudanças e à nova linguagem de comandos e mouses, absorvem a novidade o mais rapidamente possível, porque ela se revela útil e os mantém atualizados, atendendo a uma necessidade de sobrevivência profissional. A partir daí, no entanto, ''a resistência é grande'', como diz Tony Novaes, diretor de Tecnologia da Internet by Sercomtel.
Essa é a regra, mas há exceções. Enquanto João Carlos Finardi, 61 anos, bancário aposentado, utiliza o computador com absoluta desenvoltura, Agnaldo Kupper, 39 anos, diretor pedagógico de uma escola de ensino médio de Londrina, prefere a máquina de escrever ou até mesmo a ''velha'' maneira, à mão.
Trabalhando no segmento bancário no setor de serviços, o que mais investiu em tecnologia nos últimos anos , João Carlos viu e acompanhou toda a evolução, passo a passo: dos registros bancários feitos à mão e ocupando muita gente à fase da mecanografia, chegando aos primeiros e enormes computadores os ''mainframes'' , acomodados em salas espaçosas, que requeriam fundos falsos no chão, para esconder a volumosa fiação, e um sofisticado tratamento térmico. Tudo isso passou por sua vida e enriqueceu sua experiência. Tanto que, mesmo aposentado, continua na ativa, prestando assessoria financeira para várias empresas. E, agora, usa um notebook, em que a senha de acesso é sua impressão digital.
Sua única preocupação com relação às novidades da tecnologia, em especial a Internet, ''é o mau uso que se pode fazer de tudo isso, assim como aconteceu com a pólvora ou com o avião, que acabaram sendo utilizados para fins menos nobres''. Preocupa-se, igualmente, com as fraudes possíveis na Internet e, principalmente, com o tempo gasto na rede pelos jovens usuários. Quando avalia tanto progresso tecnológico, que considera fabuloso, costuma se perguntar: ''Será que tudo isso está sendo acompanhado por um avanço espiritual de igual medida?''
Presente na escola onde trabalha e bastante utilizada por alunos e professores em suas pesquisas, a Internet, segundo Agnaldo, é muito positiva, ''desde que bem usada, sem desestimular a capacidade de pensar do aluno''. Logo no começo, curioso, comprou um computador um XT 1000, com tela de fósforo verde , ''hoje, uma autêntica peça de museu''. Depois dessa primeira experiência, que não lhe trouxe nenhum prazer adicional, continuou preferindo a conversa olho no olho, as histórias contadas, antes de dormir, para a filha de três anos e a vida mais solta, sem a escravidão dos ''bipes''. ''Nada substitui a leitura'', comenta, referindo-se ao ritual de manusear um livro, um jornal, e poder usufruí-lo sem depender de nenhuma tecnologia.





