Mauá da Serra – Antes considerada terra pouco produtiva, Mauá da Serra, distante 80 quilômetros de Londrina, atualmente detém uma das maiores produtividades brasileiras de grãos, principalmente de milho, com mais de 8 toneladas por hectare, em média. Para compensar o ‘‘solo fraco’’ há o clima e a altitude de 900 metros, que favorecem o cultivo da gramínea. E a tecnologia, ao lado da disposição dos agricultores, tem contribuído para manter as lavouras produtivas.
De acordo com Marcio Sasso, agrônomo da regional da Cooperativa Agropecuária de Produção Integrada do Paraná (Integrada), a expectativa para esta safra é colher 9,5 toneladas, em média, por hectare. O milho ocupa 3,33 mil hectares, distribuídos entre 31 produtores, ante os 3,4 mil hectares da safra de verão anterior, quando a produtividade média foi de 8 toneladas por hectare. No Paraná, a produtividade média é de 4,9 toneladas por hectare, enquanto que a do Brasil é de 3,2 toneladas, segundo informações do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Desanimados com os baixos resultados das lavouras de milho, soja e trigo, um grupo de 13 agricultores do município (hoje são 12 produtores), com apoio técnico da Integrada e da Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato (Potafos), decidiu fundar o Grupo de Desenvolvimeto de Tecnologia de Mauá da Serra (GDT) como saída para viabilizar o sistema de produção e ter retorno financeiro. De acordo com Sérgio Higashibara, agricultor e atual coordenador do GDT, o desafio inicial era chegar a 82,64 sacas de soja (4,95 toneladas) por hectare. Partindo do princípio de que o resultado viria com uma adubação ‘‘pesada’’, era preciso pôr fertilizante no solo até acima da necessidade da lavoura.
Duas safras depois, porém, os agricultores concluíram que a oleaginosa não respondia à adubação química do ano. Ou melhor, a produção média por hectare até chegou a cair em um ano, ficando em torno de 45 sacas (2,7 toneladas) por hectare, lembra Higashibara. ‘‘Em função disso resolvemos partir para a adubação do milho e do trigo. E os resultados foram surpreendentes, principalmente no primeiro. E o melhor é que, como carregamos bastante no volume de fertilizantes destas duas culturas, não usamos adubo na soja’’, assegura. Com isso, a produtividade do trigo, desde que o tempo colabore, pode chegar a 74,38 sacas por hectare (4,46 toneladas), enquanto que a da soja se situa em 61,98 sacas (3,71 toneladas).
Higashibara, que está concluindo a colheita de 217,8 hectares de milho, diz que a produtividade deve ficar em 154,95 sacas por hectare (9,29 toneladas), o que representará incremento de 7,15% em relação às 144,50 sacas (8,67 toneladas) da safra 2000/01. O agricultor, apesar do bom desenvolvimento da lavoura, pois ao contrário do ano passado, o tempo tem ajudado, não arrisca uma previsão de produtividade da soja, que cultiva em 363 hectares. ‘‘O que quero é colher 200 sacas por alqueire (82,64 sacas por hectare)’’, diz. A comprovação, porém, só virá dentro de 40 ou 50 dias, quando irá colher a lavoura.
Ademar Uemura, que chegou ainda criança a Mauá da Serra e acompanhou o trabalho de ‘‘conquista’’ da região, do qual seu pai foi um dos primeiros personagens, antecipa a meta para o milho: ‘‘Quero chegar às 12 toneladas de milho por hectare, como os demais agricultores.’’ Nesta safra, por exemplo, espera fechar com média de 8,80 toneladas em cada um dos 363 hectares, o que representará incremento de 743 quilos por hectare. Há cinco anos, antes da implantação do GDT, ele colhia, em média, 7,31 toneladas (121,9 sacas) por hectare. Ele calcula que, com esta produtividade, terá lucro de 30% com o milho.
Uemura diz ainda que a soja, implantada também em 363 hectares, deverá ter rendimento de 3,09 toneladas por hectare, repetindo o resultado da safra 2000/01, quando deixou receita líquida de 10%. O trigo, pela estimativa do agricultor, manterá a produtividade média de 3,09 toneladas, ante a média paranaense de 2,4 toneladas por hectare.

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