TECNOLOGIA NACIONAL Veículos a hidrogênio serão comuns em dez anos
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terça-feira, 08 de junho de 2010
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
Entre as maiores preocupações mundiais, indiscutivelmente, está a questão energética num futuro próximo. Tanto é verdade que, seja pela diminuição das reservas de combustíveis fósseis ou pela necessidade de energia limpa e segura, a busca de alternativas por fontes renováveis e sustentáveis, sem a emissão de gases poluentes, se tornou foco de inúmeras instituições de pesquisa nos últimos anos.
E foi exatamente o que desenvolveu a Coordenação de Programas de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O engenheiro metalúrgico Paulo Emílio Valadão de Miranda, coordenador do projeto, explica nesta entrevista à FOLHA como funciona e quais são as principais vantagens do ônibus coletivo elétrico movido a hidrogênio. O veículo ganhou destaque mundial por transportar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a abertura da 10 Challenge Bibendum, evento internacional de tecnologia e mobilidade sustentável realizado de 30 de maio a 3 de junho no Rio.
Como foi o desenvolvimento do ônibus movido a hidrogênio?
Eu dirijo o Laboratório de Hidrogênio na Coppe, da URFJ, onde desenvolvemos tecnologias para o uso energético do hidrogênio. Achamos interessante começar com esse tipo de uso na área veicular, e não automóveis, porque trata-se de um transporte público, coletivo, que, além de contribuir para a diminuição da poluição ambiental das grandes cidades brasileiras, é eficiente no uso de energia. Traz ainda vários ganhos sociais e econômicos. Sem contar o fato de o Brasil ser o maior fabricante de ônibus no mundo. Assim, atuaremos numa área em que existe uma indústria genuinamente brasileira.
O governo está prestes a explorar petróleo da camada pré-sal. Há também a produção de biodiesel. Ao mesmo tempo, faltam investimentos na área do hidrogênio como fonte de energia. Como uma tecnologia como essa pode dar certo?
O que temos que entender o hidrogênio não é um combustível primário como o petróleo. É produzido a partir de uma matéria-prima utilizando energia. No entanto, tem a vantagem de ser produzido por meio de muitas fontes diferentes, como, por exemplo, pela eletrólise da água, pela gaseificação ou biodigestão de qualquer tipo de biomassa, como rejeitos da pecuária e da agricultura, e até mesmo do esgoto sanitário. Isso é um aspecto interessante e que não encontramos em outro combustível.
Interessante em que sentido?
Se formos produzir hidrogênio a partir da água por eletrólise - e veja que o Brasil tem características interessantes em termos de produção de energia elétrica, já que é fortemente de origem hidráulica - ao utilizar o hidrogênio numa pilha a combustível para gerar energia elétrica, o subproduto é vapor de água. Ou seja, saímos da água e voltamos para a água, que pode ser reutilizada. Isso nos mostra um caminho sustentável na utilização de combustíveis e geração de energia.
Mas como está isso no mercado? Qual o interesse em se investir nessa tecnologia?
Várias grandes empresas brasileiras já investem nessa área, obviamente em protótipos, em desenvolvimento de primeiro estágio tecnológico, visando o que se sabe que acontecerá, que é a economia do hidrogênio, onde utilizaremos não só o hidrogênio puro como também combustíveis ricos em hidrogênio. Essa é a direção que a sociedade está tomando em termos de produção e uso de energia.
Podemos dizer que no mais tardar em dez anos o cidadão comum poderá comprar um veículo com a tecnologia encontrada neste ônibus?
Há uma tendência séria de que os veículos a combustão interna que temos hoje cedam lugar a veículos híbridos, com tração elétrica e totalmente elétricos. Isso deverá ocorrer nas próximas décadas, mas tenho certeza que daqui a uma década teremos uma porcentagem significativa de veículos desse tipo.


