Em uma pesquisa elaborada por Léia Veiga Pinto, Leslie de Almeida Bisikirskas, Margarida Eliane Pitreck e Patrícia Cristina Pradela, alunas do curso de Bacharelado em Geografia da Universidade Estadual de Londrina, elas notaram que o Brasil, apesar de todos os seus problemas sócio-econômicos, possui uma vasta experiência na área espacial, que tem evoluído gradativamente, devido a vários esforços de seus pesquisadores e aos investimentos nesse campo. Investimentos esses, que foram tornando-se maiores na medida em que a utilização dos satélites foi despontando como atividade bem próxima das reais necessidades brasileiras.
Para fazer com que o Brasil participasse da conquista espacial, iniciado por outros países nos anos 50, em 1961 foi criado o Grupo de Organização da Comissão de Atividades Espaciais, que em 1971 transformou-se em Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos-SP.
Com o passar dos anos, aumentou-se a necessidade de conhecer e integrar o território brasileiro, o que tornou a pesquisa espacial algo prioritário. E foi nesse contexto que foi criada a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), com o objetivo de promover o avanço da tecnologia espacial através do desenvolvimento de uma família de satélites. O programa compreende o desenvolvimento e operação de satélites em órbita da Terra com aplicação direcionada às necessidades do país, como satélites de coleta de dados, de imageamento e de comunicação.
Em se tratando de satélites de telecomunicações brasileiros, temos a Embratel (Empresa Brasileira de Telecomunicações), com um papel primordial na interligação de todo o território, independente da distância existente. Seus serviços via satélite interligam pessoas de diversas localidades, viabilizando a transmissão de dados, voz, textos e imagens no Brasil e no exterior. A expansão da telecomunicação no Brasil se deu com os satélites chamados Brasilsat A1 e A2 (primeira geração lançados em 1985 e 1986) e também os satélites B1, B2, B3 e B4 (de segunda geração), sendo o último (B4), lançado em 17 de agosto de 2000.
Já em relação aos satélites de coleta de dados, o SCD-1 foi o primeiro satélite inteiramente brasileiro, literalmente projetado, fabricado, integrado e testado no Brasil pelo INPE, lançado em 1993, e superando as expectativas, estando ainda em órbita. É um satélite de coleta de dados meteorológicos e de imagens do planeta, que fornece diversas informações sobre o território brasileiro. Para dar continuidade e ampliar esse serviço, em 1998 foi lançado o SCD-2. Além desses, na área de projetos de imageamento, tem-se os satélites SSR1 e SSR2, que são satélites de observação da Terra cujo objetivo é monitorar a região amazônica.
O Brasil tem também um grande convênio na área espacial com a China, num projeto de lançar satélites na órbita da Terra para atender às necessidades dos dois países. Alguns fatores (de ambos países) que contribuíram para essa união foram a enorme extensão territorial, o grande número de áreas despovoadas e de difícil acesso, a vocação agrícola, a semelhança de nível tecnológico, etc. No dia 6 de julho de 1988 foi assinado um acordo de cooperação para desenvolver satélites de observação da Terra, cujo nome do projeto é Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), em que as instituições responsáveis são o INPE, no Brasil, e a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial), na China.
O sucesso alcançado pelos satélites CBERS 1 e 2, lançados em 1999 e 2002, entusiasmou os dois países, provocando, desta forma, com a experiência adquirida, projetos de construção de mais dois satélites para os anos de 2005 e 2008.
O CBERS, um satélite de imageamento do planeta, tem múltiplos sensores. Um é o WFI, sensor imageador que possibilita cobertura completa do planeta em menos de 5 dias, a capacidade de visualização é de 260m, focalizando uma faixa de 900km. O outro é a Câmara Multiespectral Infravermelha (IR-MSS), sensor útil para trabalhos de planejamento urbano, hidrológicos, geológicos, agronomia e em questões do meio ambiente.
OSVALDO COELHO PEREIRA NETO é mestre em imagens de satélite e professor na Universidade Estadual de Londrina

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