Nos últimos anos ocorreram grandes avanços nas técnicas e nos equipamentos para auxílio do diagnóstico e do tratamento das doenças cardiovasculares. Se, contudo, não são utilizados com rigoroso controle médico e com responsabilidade, podem ser realizados muitos procedimentos desnecessários, representando perda de tempo do paciente e, principalmente, de dinheiro, justamente em épocas como a atual de grandes dificuldades econômicas.
As principais doenças cardíacas podem, muitas vezes, ser avaliadas pelo cardiologista apenas com um consulta médica bem realizada. Mas frequentemente se atribui ao coração os sintomas de dor no peito, falta de ar, palpitações e desmaios ou ‘‘ameaça’’ de desmaio. Todos eles, quando realmente causados por doença cardíaca, têm características marcantes.
A dor representa a queixa mais frequente no consultório do cardiologista, sendo em grande parte das vezes ocasionada por outras alterações como dores vasculares ou da parede do tórax, coluna, pulmões e até aparelho digestivo, cabendo ao médico fazer a diferenciação da dor ‘‘cardíaca’’, com análise das suas características, o que ocorre com facilidade. Já a dor de origem muscular ou óssea apresenta um ponto doloroso à palpação ou a movimentos do tórax ou braços. A que tem origem no trato digestivo geralmente apresenta modificações com alimentação, deglutição e posição , e finalmente se originada nos pulmões traz outros sintomas de doença respiratória, modifica-se com a respiração e ocorre concomitantemente com achados no exame físico dos pulmões.
Assim, dor, geralmente no meio do tórax, como um ‘‘aperto’’, com duração de 3 a 10 minutos, habitualmente provocada por esforço físico, podendo irradiar-se para um ou ambos os braços, mandíbula, costas e, mesmo para o abdômen, sugere diminuição da irrigação sanguínea do músculo cardíaco, ocasionada pelo aterosclerose das artérias coronárias. A falta de ar de origem cardíaca geralmente ocorre no esforço físico, aumenta de intensidade com a gravidade de quadro e piora quando o paciente se deita. Quando há falta de ar em doenças como enfisema pulmonar, a instalação e a progressão são lentas e não ocorre piora com as diversas posições que o paciente venha a assumir. Não se deve confundir a falta de ar causada por doenças, com baixa aptidão física do sedentarismo, cada vez mais comum.
As palpitações devem ocorrer em indivíduos normais, sendo percebidas mais frequentemente à noite e quando a pessoa se deita. Devem ser bem avaliadas pelos médicos para afastar-se arritmias cardíacas. Os desmaios, os seus ‘‘ameaços’’ raramente têm origem em anormalidade cardíacas que são facilmente identificáveis. Todas as manifestações mencionadas podem se apresentar com características totalmente atípicas, geralmente ocasionadas por doenças não cardíacas e frequentemente, são consequentes a estados de ansiedade.
A experiência clínica mostra que a análise bem minuciosa dos sintomas e o exame físico completo fornecem ao cardiologista plenas condições para afastar, suspeitar ou confirmar a presença de doença, com as possibilidades diagnósticas aumentando com o concurso de exames relativamente simples como eletrocardiograma, RX de tórax e análises de laboratório. Os exames sofisticados e dispendiosos devem ser usados, criteriosamente, para os casos em que haja dúvidas diagnósticas ou para esclarecer detalhes que poderão influenciar no diagnóstico e tratamento da doença.

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