A edição de 11 de outubro de 2014 da Folha Rural apresentou dados e situações preocupantes para o Paraná. A população atuante no campo diminuiu 40 por cento entre 2004 e 2014. A falta de mão de obra tem inviabilizado a produção e ameaçado a sobrevivência da medias e pequenas propriedades.
A reportagem indicava soluções como o investimento em tecnologias que permitam produzir mais e de forma mais adequada. Equipamentos, técnicas e processos que permitam a redução dos custos com insumos e que reduza a mão de obra e o tempo necessário à produção. A busca por uma produtividade eficaz é um problema complexo que exige também respostas complexa.
Algo semelhante ocorreu quando agricultores norte-americanos do século 19, cuja mão de obra disponível eram suas próprias famílias, fizeram surgir inovações como o arado de aço forjado de John Deere em 1837 ou a segadeira mecânica de Cyrus MacCormick em 1831. A inovação tecnológica, fruto da necessidade, é uma invenção ou descoberta que é levada satisfatoriamente ao mercado. No Norte do Paraná tivemos o engenheiro José Kemnitz Moreira Lima, de Ribeirão Claro, que em 1931 requereu a patente de uma máquina que aspirava o café do solo em qualquer clima. Prometia a redução dos custos e do tempo com colheita.
A pequena propriedade rural, onde o agricultor mora e trabalha com sua família também precisa investir em tecnologias adequadas. Destaque-se que a agricultura familiar é um modo ou estilo de vida, uma manifestação cultural e histórica que precisa ser preservada. Tanto o pequeno como o grande produtor rural fazem parte do agronegócio sendo assim empresários condutores de empresas, ambos precisam se integrar ao mercado e aprender a interpretar seus sinais para atender às suas necessidades. Cada vez se torna mais necessária a ajuda e a assessoria profissional nessa tarefa, assistência técnica para melhorar a produção apenas já não basta. Inserção no mercado, falta de mão de obra e investimento em tecnologia evidenciam questões econômicas fundamentais que são impostas ao produtor rural, pequeno, médio ou grande: o que, quanto, como e para quem produzir?
Se a mão de obra, cada vez mais custosa e escassa, pode ser suprida na pequena empresa rural pela própria família que nela trabalha, a tecnologia por sua vez é uma questão muito mais complexa. A tecnologia precisa ser desenvolvida, transferida, aplicada e assimilada até que possa dar retorno àqueles que nela investiram. Fatores como o nível educacional, condições socioculturais e recursos financeiros podem dificultar a plena adoção de novas tecnologias, surgiu até um segmento científico próprio para estudar a transferência e aplicação de tecnologia: a antropotecnologia. Não basta ter acesso a uma nova tecnologia, é preciso aprender a usá-la de forma eficaz, assimilá-la culturalmente até que se torne produtiva. Investimentos de tempo e dinheiro, predisposição e dedicação.
Identificam-se três personagens na busca pelo desenvolvimento tecnológico e inovações: Estado, universidade e empresas. Cada um deles ocupa um dos vértices do Triângulo de Sábato com atribuições interligadas: fomento, pesquisa, desenvolvimento e aplicação das inovações. Dessa relação deve-se esperar que transforme a inovação tecnológica em empregos, renda e benefícios sociais e econômicos.
O futuro da pequena propriedade rural e sua sobrevivência dependem do trabalho familiar, da aplicação de novas tecnologias, da produtividade e da compreensão das exigências do mercado. Muitas cidades dependem da produção dessas pequenas empresas rurais para suas demandas de alimentos, em especial aqueles mais frescos. Não atender as demandas desse setor da economia irá causar impacto especialmente na panela e na mesa dos brasileiros. Que fique o alerta aos consumidores, às universidades e aos diversos níveis do governo: o campo do Paraná está com dificuldades que precisam ser atendidas pois dele todos dependemos.

ROBERTO BONDARIK é professor e pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná em Cornélio Procópio



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