Tecnologia aperfeiçoando sistemas
A tecnologia veio para melhorar a vida da humanidade, embora tenha servido também para causas de destruição. No caso de Maringá assunto abordado ontem neste Jornal servidores da Prefeitura comandados pelo engenheiro e especialista em geoprocessamento Osmar Burci desenvolveram um sistema visando o uso do solo urbano, pela fiscalização via satélite. Com vista ao IPTU, será possível por este modo medir o tamanho das construções e as que são adicionadas irregularmente nos terrenos, assim como os pontos de maior crescimento da cidade. O projeto para mais tarde é disponibilizar um programa da internet para ajudar as pessoas a encontrarem endereços, o que hoje constitui um problema das cidades, pela escassez de placas indicativas dos nomes de bairros e ruas. (Nesse campo, por exemplo, Londrina é um caos nas zonas periféricas). Esse novo serviço de Maringá, que começará a funcionar logo, pode ser disponibilizado para outros municípios, da mesma forma que foi também nesta cidade norte-paranaense onde se inventou e primeiro se instalou o semáforo de sete tempos, hoje adotado em muitas cidades brasileiras. Londrina também utiliza o sistema de imagem por satélite, para detectar irregularidades ambientais, abrangendo 20% da área urbana e 50% da rural. Não se sabe se, municiado dessas informações tanto em Maringá como em Londrina o poder público tomará as medidas cerceadoras, mas ao menos a tecnologia está posta em ação. Aproveitando a oportunidade, avanços tecnológicos do gênero poderiam ser adotados também para revelar ao público falhas e descasos das administrações públicas. Por exemplo, o das favelas, que se expandem. Um mapeamento da situação, via satélite, e em alta resolução, mostraria o retrato vivo e de cores cinzentas dessa triste realidade social, e um sistema de alarma eletrônico dos computadores de cada cidadão mediria a intensidade da negligência governamental. Quem sabe o sistema detectaria também depósitos e cargas de drogas e armamento. E daí para captar desmandos públicos mais sutís seria um passo, como monitorar, por via de câmaras ostensivas e transmissão aberta ao público, o que ocorre nos gabinetes governamentais e repartições. Isto não significaria quebra de privacidade mas, ao contrário, a plena transparência do que ocorre no âmbito da vida pública. Afinal, é transparência o que tanto os governantes apregoam. O progresso do setor tecnólogico poderá, dessa forma, favorecer que muitos atos ilícitos sejam detectados ou evitados. Assim, se o poder público se arma de instrumentos para captar sonegadores e outros atos irregulares dos cidadãos, também permitiria ao povo saber como se comportam os governantes aí compreendendo-se os três Poderes de forma clara, transparente, com boa resolução de imagens e palavras.





