Tecnologia a serviço das pessoas
Uma cidade só será verdadeiramente inteligente se colocar as pessoas no centro de todas as decisões
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 2026
Uma cidade só será verdadeiramente inteligente se colocar as pessoas no centro de todas as decisões
Folha de Londrina 
As cidades inteligentes deixaram de ser uma promessa de futuro para se tornar uma realidade do presente. Mas o debate promovido na 26ª edição do EncontrosFolha revelou uma verdade que, por vezes, se perde em meio ao fascínio por câmeras inteligentes, inteligência artificial, sensores e conectividade: uma cidade só será verdadeiramente inteligente se colocar as pessoas no centro de todas as decisões.
A tecnologia não é um fim em si mesma. Ela é uma ferramenta. E, como toda ferramenta, seu valor depende da forma como é utilizada. O maior risco das administrações públicas não é ficar para trás na corrida da inovação, mas acreditar que a simples aquisição de equipamentos e softwares resolverá problemas históricos de mobilidade, segurança e gestão.
Os exemplos apresentados durante o evento mostram que o Paraná possui um ambiente favorável à inovação. O modelo de parceria entre governos e startups, defendido pelo Hub GovTech PR, aponta um caminho interessante para acelerar soluções já testadas e reduzir o tempo entre a identificação de um problema e sua resolução. Em um setor público frequentemente marcado pela lentidão burocrática, esse pode ser um divisor de águas.
Ao mesmo tempo, a realidade de algumas administrações municipais, principalmente as menores localidades, com sistemas obsoletos, processos administrativos lentos e o receio jurídico que paralisa decisões expõe um cenário conhecido em muitas regiões do país. A transformação digital não depende apenas da compra de tecnologia. Ela exige uma profunda mudança de cultura dentro de muitos órgões públicos.
Também merece destaque a discussão sobre mobilidade urbana. Em tempos de congestionamentos crescentes, cidades inteligentes não podem ser confundidas com cidades repletas de automóveis. A inteligência urbana está em oferecer alternativas eficientes de transporte coletivo, ciclovias seguras, calçadas acessíveis e integração entre diferentes modais. Como foi ressaltado durante o encontro, respeitar o tempo das pessoas talvez seja uma das formas mais concretas de melhorar sua qualidade de vida.
É provável que a principal mensagem deixada pelo EncontrosFolha seja que uma cidade inteligente não se constrói apenas com infraestrutura digital. Ela depende da colaboração entre poder público, empresas, universidades, imprensa e sociedade civil. A tecnologia amplia capacidades, mas não substitui planejamento, liderança nem participação cidadã.
O EncontrosFolha, realizado no dia 8 de julho, no Centro de Eventos do Aurora Shopping, na zona sul de Londrina, teve como tema "Cidades Inteligentes como Ecossistemas Vivos - Mobilidade Urbana, Conectividade e Segurança". Os painelistas foram o prefeito de Londrina, Tiago Amaral, a engenheira civil Geórgia Briano e o coordenador executivo do GovTech Paraná, Gustavo Comeli. A mediação ficou por conta do professor e consultor Cristiano Russo.
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