As cidades inteligentes deixaram de ser uma promessa de futuro para se tornar uma realidade do presente. Mas o debate promovido na 26ª edição do EncontrosFolha revelou uma verdade que, por vezes, se perde em meio ao fascínio por câmeras inteligentes, inteligência artificial, sensores e conectividade: uma cidade só será verdadeiramente inteligente se colocar as pessoas no centro de todas as decisões.

A tecnologia não é um fim em si mesma. Ela é uma ferramenta. E, como toda ferramenta, seu valor depende da forma como é utilizada. O maior risco das administrações públicas não é ficar para trás na corrida da inovação, mas acreditar que a simples aquisição de equipamentos e softwares resolverá problemas históricos de mobilidade, segurança e gestão.

Os exemplos apresentados durante o evento mostram que o Paraná possui um ambiente favorável à inovação. O modelo de parceria entre governos e startups, defendido pelo Hub GovTech PR, aponta um caminho interessante para acelerar soluções já testadas e reduzir o tempo entre a identificação de um problema e sua resolução. Em um setor público frequentemente marcado pela lentidão burocrática, esse pode ser um divisor de águas.

Ao mesmo tempo, a realidade de algumas administrações municipais, principalmente as menores localidades, com sistemas obsoletos, processos administrativos lentos e o receio jurídico que paralisa decisões expõe um cenário conhecido em muitas regiões do país. A transformação digital não depende apenas da compra de tecnologia. Ela exige uma profunda mudança de cultura dentro de muitos órgões públicos.

Também merece destaque a discussão sobre mobilidade urbana. Em tempos de congestionamentos crescentes, cidades inteligentes não podem ser confundidas com cidades repletas de automóveis. A inteligência urbana está em oferecer alternativas eficientes de transporte coletivo, ciclovias seguras, calçadas acessíveis e integração entre diferentes modais. Como foi ressaltado durante o encontro, respeitar o tempo das pessoas talvez seja uma das formas mais concretas de melhorar sua qualidade de vida.

É provável que a principal mensagem deixada pelo EncontrosFolha seja que uma cidade inteligente não se constrói apenas com infraestrutura digital. Ela depende da colaboração entre poder público, empresas, universidades, imprensa e sociedade civil. A tecnologia amplia capacidades, mas não substitui planejamento, liderança nem participação cidadã.

O EncontrosFolha, realizado no dia 8 de julho, no Centro de Eventos do Aurora Shopping, na zona sul de Londrina, teve como tema "Cidades Inteligentes como Ecossistemas Vivos - Mobilidade Urbana, Conectividade e Segurança". Os painelistas foram o prefeito de Londrina, Tiago Amaral, a engenheira civil Geórgia Briano e o coordenador executivo do GovTech Paraná, Gustavo Comeli. A mediação ficou por conta do professor e consultor Cristiano Russo.

Obrigado por ler a FOLHA!

mockup