O volume de internautas residenciais brasileiros cresceu 48,4% em 2007 na comparação com o ano anterior. E sabe o que mais atrai os 21 milhões de usuários do nosso País na rede mundial? A interatividade, ou seja, a chance de deixar de ser um mero espectador para atuar como produtor de conteúdo. Esta nova fase vem sendo chamada de Web 2.0, e tem como maiores expoentes o site de vídeos Youtube e o de comunidades virtuais Orkut.

Em entrevista à FOLHA, o doutor em Sistemas de Informação Fernando Saba Arbache afirma que as empresas podem tirar proveito desta nova onda de interatividade para conhecer melhor os clientes, atendendo suas necessidades. Arbache fala ainda sobre as consequências do aumento da velocidade da informação e das constantes evoluções dos produtos tecnológicos, que estão se tornando ''praticamente descartáveis''.

Qual o maior impacto que a Web 2.0 causa no internauta?
A Web 2.0 transforma o internauta de espectador em autor. A vantagem de tudo isso é simples: a partir do momento que você permite que o internauta vire um produtor de conteúdo, não precisa mais ter uma grande estrutura, porque as pessoas criam de forma tão espontânea que vai haver um enriquecimento muito forte da página. É justamente por causa disso que sites como Orkut, Youtube e Wikipedia valem mais de US$ 20 bilhões. São pessoas colocando espontaneamente suas ações e conceitos, tornando o site extremamente rico em informação.

Como as empresas podem tirar proveito dessa nova vertente de interatividade?
É uma ferramenta fantástica. Quando você paga para fazer uma pesquisa, gasta muito dinheiro, e as pessoas vão dar dados declarados, que são espúrios ou errados. Já nos sites como o Orkut, as pessoas colocam espontaneamente dados sobre sua vida, seu desejos. As empresas podem usar isso tentando compreender melhor quem são seus clientes, qual a aceitação delas, do que em uma pesquisa forçada.

O que acontece com as empresas que não estiverem atentas a isso?
O internauta não interage com esse tipo de empresa, principalmente na faixa de 12 a 15 anos. A primeira coisa que eles buscam quando querem saber mais sobre uma empresa é o site dela. Se não tiver nem isso, o que este garoto vai pensar? Perde a credibilidade.

Existe um lado prejudicial nisso tudo?
Não é questão de ser prejudicial, porque somos muito patrimonialistas. Os produtos de tecnologia estão se tornando praticamente descartáveis. As pessoas compram um telefone não pensando no aparelho em si, mas nos serviços que ele oferece. Por exemplo: a agenda tem mais valor que o celular. Se existe algum meio para armazenar a agenda na web e conseguir buscá-la cada vez que muda o telefone, passa a ter muito menos aprisionamento ao aparelho e mais aquilo que você precisa, a informação. O ciclo de vida dos produtos tende a ser cada vez menor, e a mudança mais acelerada. Não há mais como voltar atrás. Por isso não temos que pensar como prejuízo, mas sim como vamos conviver com isso. É uma mudança radical que vai trazer prejuízos se a gente não souber conviver.

A informação passou a valer menos com a velocidade da internet?
A informação é temporal. Hoje ela tem um valor, amanhã não tem mais nenhum. Imagine se alguém chegasse no Pentágono no dia 10 de setembro de 2001 e falasse que no outro dia aviões destruiriam as Torres Gêmeas. Quanto valeria esta mesma informação no dia 11, às 18h? Nada. A informação, por ter meios de comunicação muito velozes, cada vez perde mais a aderência. Por isso que a internet oferece essa busca constante por novas informações. O importante é entender que há um conjunto de informações correlacionadas que se transforma em conhecimento, agregando um valor inestimado.

É aí que entra a complementaridade...
Exatamente. A web é complementar ao jornal físico e vice-versa. As pessoas gostam de ver textos curtos na internet, não gostam da informação integral. É muito chato ler na tela e no celular. Então elas buscam informações nos jornais escritos, que elas podem manusear. Um dos nossos sentidos é o tato, nós gostamos de sentir o papel, e na internet isso não é possível. A internet expõe muita notícia e você faz uma leitura rápida, buscando depois a fonte primária que é o jornal. Temos dois elementos de extremo valor para o mercado: a internet como forma de indicação de conteúdo e o jornal com maior descrição do conteúdo e opinião. Em momento algum estamos eliminando o conceito de jornal físico, mas sim transformando-o no principal pressuposto de conteúdo que existe no mercado.

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