TCU investiga favorecimento a banco
Em administração pública, como na gestão do setor privado, quando as coisas começam erradas parecem fadadas a trilhar por caminhos tortuosos. Tortuosos e suspeitos. Sob o título ''TCU condena operação do BNDES com o HSBC'', o jornal Folha de São Paulo destacou em manchete de página reportagem em que o Tribunal de Contas da União (TCU) aponta irregularidades que favorecem o HSBC.
A operação envolve muito dinheiro. O Tribunal condena a cessão de uma carteira de créditos do BNDES ao HSBC, sem qualquer tipo de concorrência. Primeiro, em 1997, foi repassada a gestão dos créditos para o HSBC (que mais tarde a vende para o BNDES). Dez anos depois, em 2007, a carteira foi vendida (para o HSBC) por apenas 1,3% do seu valor. A carteira somava cerca de R$ 650 milhões e saiu por R$ 8,3 milhões para o HSBC. Ou seja o BNDES revende a carteira para o HSBC. Em um relatório confidencial ao qual a reportagem da Folhapress teve acesso, os ministros do Tribunal concluíram que a direção do banco foi ''omissa'' na administração dos recursos. Tanto que os ministros do TCU requisitaram ao Ministério Público uma investigação paralela e determinaram a convocação de 13 diretores e ex-diretores do BNDES.
Quando se diz que as coisas que começam erradas deixam sempre um rastro de supostas irregularidades e suspeição não é por acaso.
Como lembra a Folha de São Paulo, a transação entre
BNDES e HSBC tem sua origem em 1997. O Banco Central decretou intervenção no banco Bamerindus. Foi uma decisão polêmica, criticada, não pela forte ligação daquele banco com os paranaenses, mas pela forma difusa como ocorreu. Primeiro o governo Fernando Henrique estaria por traz de boatos sobre dificuldades enfrentadas pelo banco. Em segundo lugar, o BC interveio precipitadamente - comentava-se na ocasião - e a forma como as operações foram transferida para o HSBC também não foi bem explicada, embora, nem sempre dentro da lei.
Voltando a ação do TCU: A reportagem da Folha de São Paulo observa que na época em que a venda da carteira foi autorizada, o presidente do BNDES era o economista Demian Fiocca. Ele foi economista-chefe do HSBC entre 1998 e 2000. Mas Fiocca não está entre os ex-dirigentes chamados a dar explicação.
Se o passado é passado, pelo menos o que se tem de concreto - e muito presente - é uma nada desprezível irregularidade, denunciada, agora, pelo TCU. Que pelo menos se apure a cessão de uma carteira da carteira do BNDES ao HSBC. E que se respeite a denúncia do órgão.





