Curitiba Assaltar taxistas está virando porta de entrada para o mundo do crime. Por uns poucos trocados, que muito dificilmente beiram os R$ 100,00, jovens, em sua maioria entre 15 e 27 anos, assaltam uma média de quatro taxistas por dia em Curitiba. Em 90% dos casos, os assaltos acontecem sem violência, mas há situações dramáticas. Ademir Carneiro, de 20 anos, perdeu a vida, baleado nas costas no dia 19 de fevereiro, por apenas R$ 22,00.
Os números da Polícia Civil estão longe de apresentar esta realidade. Mas o presidente do Sindicato dos Taxistas de Curitiba e Região, Celso Fernandes Neto, garante que houve um crescimento significativo na quantidade de assaltos na Grande Curitiba, passando de um a dois casos por mês para quatro por dia desde meados do ano passado. ''Em 90% dos casos, os assaltos acontecem sem violência. O ladrão só leva o dinheiro e pertences do motorista'', explica.
Nestes casos, a maioria não registra queixa na polícia. Para ter uma idéia da defasagem dos números, a Secretaria de Segurança só tem registrados 26 assaltos a taxistas em 2000, mais 26 em 2001 e 12 até julho deste ano. ''Os taxistas sabem dos assaltos porque são comunicados pela central de táxi a que estão vinculados, mas muitos motoristas não se identificam nem fazem queixa'', conta Fernandes Neto.
Prova de que os números não condizem com a realidade são os recentes assaltos divulgados em Cascavel. Dia 10 de setembro, o motorista José Carlos Pacheco, de 34 anos, morreu com um tiro de pistola 9 milímetros na cabeça. Antes disso, Pacheco já tinha sido assaltado duas vezes. Nas últimas semanas outros três assaltos ocorreram na cidade, sendo um deles um assalto-relâmpago, no qual o motorista foi colocado no porta-malas e o carro abandonado.
A polícia, sindicato e empresas também não sabem o número de mortes de taxistas no Paraná. O problema é que os casos são registrados pela polícia apenas como homicídios, sem especificação sobre a profissão. Levantamento informal, feito pela Folha na internet em arquivos de jornais, mostrou que pelo menos sete motoristas foram mortos em 2001. É a mesma quantidade de mortes registradas entre janeiro e setembro deste ano.
Uma característica comum às mortes de taxistas de Curitiba é que todos eles foram assaltados e executados em cidades da região metropolitana, onde há menor movimento. Este ano, três taxistas foram mortos em corridas para Campo Magro, Colombo e São José dos Pinhais. Já no ano passado, as duas mortes de motoristas de Curitiba ocorreram em Colombo e Almirante Tamandaré. No último caso, foi também a primeira morte de uma mulher taxista. Erondines Borges, de 38 anos, foi morta em 28 de agosto com um tiro na nuca.
Taxistas, assim como motoristas e cobradores de ônibus, costumam ser categorias unidas. Há 30 anos aconteceu um linchamento em Curitiba, quando taxistas caçaram e mataram o assassino de um colega. Quase sempre em que há morte de algum motorista, a categoria organiza manifestações e protestos pelas ruas. No dia 1º de março deste ano, dois assaltantes viveram momentos de terror, ao serem transferidos de São José dos Pinhais, na região metropolitana, pára Curitiba. Presos pela morte do taxista Ademir Carneiro, de 20 anos, em 9 de fevereiro, durante todo o trajeto eles foram seguidos por uma carreata de 170 taxistas que ameaçavam linchá-los.

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