Taxa Selic e desenvolvimento
Em uma decisão já aguardada por analistas do mercado financeiro, o Banco Central anunciou nesta semana a quarta elevação seguida no juro básico da economia a taxa Selic. O índice foi reajustado em 0,5 ponto percentual, ficando em 9% ao mês. A tendência, segundo analistas, é que em outubro, a Selic atinja 9,5%. A movimentação é uma tentativa de tentar conter o avanço da inflação, uma vez que juros altos tradicionalmente contribuem para um desaquecimento nas vendas, gerando redução da demanda.
No entanto, o controle da inflação trará impactos negativos para o crescimento econômico, que há anos está aquém do desejado. Juros mais altos inibem investimentos. Outro ponto é que um recuo na demanda também provocará desemprego, fator dado como certo pelo mercado. Um provável crescimento da inflação, de fato, deve ser contido. Uma escalada de preços não é benéfica para nenhum elo da cadeia. No entanto, o sentimento é que o governo também tem que fazer a sua parte.
O ideal seria também que a administração pública controlasse seus gastos e adotasse uma postura mais austera. Não é o que irá ocorrer. Se passadas várias gestões nenhuma decisão nesse sentido foi tomada, não será agora às vésperas das eleições presidenciais e na qual a presidente Dilma Rousseff (PT) é candidata à reeleição que ela virá. A população, quando tomou as ruas do País há dois meses, demonstrou insatisfação com o atual modelo político-econômico e, de concreto, o que foi feito para mudar essa situação? Praticamente nada. Se já foi demonstrado descontentamento com a condução dessa política, em um cenário de desemprego essa situação pode até piorar.
Medidas paliativas, que não fortalecem a economia nacional a longo prazo, têm sido implantadas há anos. Os resultados foram também pontuais, mas esse modelo se mostra esgotado. É preciso pensar no desenvolvimento a longo prazo, com a adoção de medidas que fortaleçam o País. Isto está faltando e pela, condução da atual política, não virá rapidamente.





