Taxa de juros e inflação
As atenções do mercado financeiro estão voltadas hoje à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que definirá a nova taxa básica de juros a Selic. Atualmente definida em 7,25% ao ano, as opiniões de analistas sobre a manutenção do índice é divergente. Alguns apostam na elevação de 0,25%, enquanto outros projetam esse aumento para maio. Há mais de um ano promovendo ajustes na taxa, essas reduções sucessivas começaram a surtir algum efeito para os consumidores.
Balanço da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) indica que a taxa de juros média para pessoa física chegou ao menor patamar da série histórica, que teve início em 1995, baixando de 5,42% para 5,40% ao mês. Foram avaliadas seis linhas de crédito e apenas uma se manteve inalterada: o cartão de crédito rotativo.
A redução dos juros é positiva porque demonstra certa maturidade econômica do País, ainda que favorecida pela crise econômica internacional, no sentido de ter capacidade de contornar os problemas. Se foi positiva do ponto de vista de investimentos, uma vez que o "custo do dinheiro" ficou mais baixo, os consumidores também estão sentindo seus efeitos a partir do aumento da inflação.
Segundo o último Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os preços de alimentos, produtos e serviços subiram 6,59% em 12 meses encerrados em março. O índice está acima do teto da meta de inflação, estipulado em 6,5% ao ano. O centro da meta é 4,5% pontos, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Em seus boletins mensais, o Banco Central tem reiterado que não é tolerante com a inflação e que tem monitorado os indicadores para tomar qualquer decisão referente à taxa de juros.
Apesar das sucessivas quedas, os juros praticados no Brasil ainda estão entre os maiores patamares do mundo. É claro que nenhum brasileiro deseja a volta da inflação, mas o ideal seria continuar dosando os dois itens: queda das taxas e preços sob controle.





