Taxa de juros
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nessa semana, acena que a taxa de juros - a taxa Selic - poderá cair mais, a 9% ao mês. Definida em 9,75%, depois do corte de 0,75 ponto na última reunião, a avaliação é que a medida vai estimular o crescimento econômico do País. Uma taxa relativamente baixa para os padrões brasileiros vai estimular o consumo, o que em tese amplia os riscos de um aumento da inflação.
No documento, o Copom afirma que a taxa deve permanecer em patamares ''ligeiramente acima dos mínimos históricos''. O valor mais baixo nas últimas décadas foi de 8,75% ao ano, mantido entre julho de 2009 e abril de 2010. Essa decisão, de manter o índice na casa dos 9%, frustrou parte do mercado, que esperava um corte ainda maior. No entanto, se a taxa fosse reduzida ainda mais, seria preciso mexer no rendimento da poupança, medida muito impopular para um ano eleitoral. Com a Selic na casa dos 8%, o rendimento da poupança - hoje em 6% - ficaria maior do que os fundos de investimento.
De certa forma, a redução dos juros é positiva. A economia brasileira vem perdendo o ritmo, afetada pela crise econômica europeia e pelo aumento da taxa de juros e da restrição ao crédito. Outras medidas também foram adotadas, como mudanças na tributação de operações com Imposto sobre Operações Financeiras, intervenções no câmbio, entre outros itens. A intenção é evitar uma valorização excessiva do real, o que tem prejudicado as exportações.
Há anos a classe produtiva reclama da taxa de juros, uma das mais altas do mundo. No manifesto anunciado nessa semana pelas federações das indústrias do Paraná e de São Paulo, consta entre as reivindicações a redução da taxa básica de juros, uma política cambial que iniba a valorização do real, entre outros itens. A política econômica, como um todo, precisa ser revista. É fato que a economia brasileira está mais sólida, sendo menos sujeita aos efeitos de crises externas. Por isso, é preciso investir no desenvolvimento sustentável, com apoio às exportações e às demandas do mercado interno.





