Tarifas em discussão (Editorial)
EditorialTarifas em discussão
As empresas que operam o transporte coletivo urbano em Londrina protocolaram pedido de reajuste nas tarifas, o que é natural. Apesar de se estar vivendo fase de inflação baixa, os preços continuam a subir e um reajuste anual no setor (faz um ano que houve aumento em Londrina) pode até ser considerado adequado. Entretanto, o que não parece correto, em princípio, é o percentual solicitado, 32%, que está tremendamente acima da inflação no período.
Embora esta seja uma questão local - e o reajuste das tarifas no transporte coletivo urbano é decisão do poder público municipal - sabe-se que o problema afeta todo o país. Em cidades pequenas, médias, grandes ou gigantescas, o assunto é o mesmo. Em algumas capitais, inclusive, tem ocorrido protestos e paralisações dos trabalhadores do transporte para obter reajustes salariais. A pressão vai se tornando cada vez maior e as Prefeituras precisam enfrentar o problema com muita objetividade.
Vale recordar que foi esta delicada questão das tarifas do transporte coletivo urbano um dos grandes problemas de planos econômicos anteriores. Quando o Governo Sarney lançou o congelamento de preços e salários, no Plano Cruzado, um dos primeiros golpes sofridos pelo projeto foi justamente o das tarifas dos ônibus. Prefeitos usaram o argumento de competência exclusiva sobre o assunto, autorizaram reajustes sem levar em conta o congelamento e provocaram enorme impacto negativo sobre aquele plano. Não foi isto o que derrubou o cruzado, mas é certo que a decisão criou imensos problemas naquele esforço contra a inflação.
A reação do prefeito de Londrina ao pedido das empresas que operam o transporte coletivo urbano foi taxativa: não vai dar nem o reajuste pedido, nem qualquer outro. A decisão se baseia na situação do trabalhador que, pondera, não tem como absorver esta alta. A questão seguramente vai se complicar, muita pressão pode acontecer. Todavia, o importante é que o problema seja levado, em Londrina como em todo o país, de modo objetivo. As tarifas do transporte coletivo urbano pesam diretamente no bolso do trabalhador e representam fator que pode desencadear pressões inflacionárias. No Plano Cruzado, ajudaram, por uma falta de sensibilidade de muitos prefeitos, a derrubar o projeto. Nestes anos todos de Plano Real, a atitude dos chefes de Executivo municipal tem sido diferente, mais sensível à situação econômica como um todo.
Ademais, uma das reclamações colocadas pelas empresas que operam o transporte em Londrina pode servir para análise diferente da questão. Segundo dados apresentados à Prefeitura de Londrina, uma das causas do pedido de reajuste tão elevado decorre da queda no volume de passageiros transportados. Ora, um caminho adequado, então, seria o trabalho no sentido de conquistar mais clientes. Usualmente, no Brasil, empresas de transporte urbano não têm pensado em termos de melhorar serviços para ganhar usuários. Os tempos estão mudando. Uma frase afixada em ônibus é inteligente e correta. Diz: Use ônibus, você evita multas. É certo. O coletivo representaria alternativa até mais econômica para o transporte. É claro, porém, que o serviço teria que ser melhor. O aumento no número de passageiros - algo plenamente possível - é sem dúvida alternativa bastante interessante para as empresas e para o bolso dos usuários. Constitui, ademais, tentativa de resolver de modo diferente esta sempre angustiante questão das tarifas. Afinal, em uma economia sem inflação, aumentar tarifas não é a melhor solução para ninguém.





