Tarifa de energia elétrica
A partir de 2015 a cobrança da tarifa de energia elétrica será modificada. A intenção é implantar o sistema de bandeiras tarifárias, que prevê a adoção de três cores de bandeiras (verde, amarela e vermelha) na fatura, que devem indicar aos consumidores as condições de custo de geração de energia no mês. A proposta já deveria ter sido implantada durante este ano, mas foi adiada pelo governo federal. A partir dessa ação, pode-se supor que o aumento da tarifa seria bem maior, o que poderia trazer sérias consequências em um ano eleitoral.
De acordo com a proposta, o modelo eleva o custo da energia em momentos de geração adversa, como estiagens e acionamento de termelétricas. Se por um lado o consumidor seria estimulado a reduzir seu consumo, a partir da previsão de aumento da tarifa, por outro, as distribuidoras teriam uma receita adicional quando o custo estiver mais elevado, o que diminuiria a diferença entre despesas e receitas. No entanto, cabe ressaltar que neste ano a tarifa cobrada na maioria dos Estados já foi reajustada a índices bem superiores ao da inflação oficial. Além disso, o percentual só não foi maior justamente porque este é um ano eleitoral, quando governadores concorrem à reeleição ou trabalham para eleger sucessores.
Também é importante discutir a origem da crise das distribuidoras de energia elétrica. Seria justo os consumidores arcarem com um custo extra criado a partir de imposições e cerceamentos do governo federal? A lógica do menor custo possível contribui fortemente para aumentar a demanda e, além disso, o País tem importantes entraves, como leilões pouco atrativos, estatais que atrasam a entrega de usinas ou de linhas de transmissão, estiagem, falta de planejamento de oferta e demanda, além da demora para conceder licenças ambientais para empreendimentos.
Outro ponto importante é que a energia elétrica brasileira é basicamente gerada a partir da água, o que torna o sistema bastante vulnerável. As constantes variações climáticas obrigam o acionamento das termelétricas, que têm maior custo de operação. Nesse cenário, com custo maior e tarifas sem aumento, as distribuidoras acumulam dívidas que serão pagas pelos consumidores. Portanto, seria importante que os brasileiros passassem a pressionar por mudanças e melhorias no sistema. As variáveis são muitas e favorecem descompassos que, na maioria dos casos, os consumidores é que arcam com os prejuízos.





