Diretor por cinco anos do Colégio Olavo Bilac, em Ibiporã, Célio Semprebom é daquelas pessoas que entendem do que falam. Com 39 anos devotados à educação, Semprebom - um dos fundadores da Educação a Distância na capacitação de professores - aposta em mudanças na atual forma com que os conteúdos são apresentados. Atividades lúdicas e uma maior participação dos pais incluem-se entre as sugestões.

Que papel cabe à escola, neste século 21?
O resgate da família. E não é o Rotary, o Lions ou a prefeitura que vai promover esse resgate. É a escola. Por que, no final do ano, a escola teria que aprovar o aluno em uma ou duas disciplinas se a família, durante o ano todo, sequer ''deu bola'' para esse aluno?

Certo, mas qual sua sugestão para trazer esses pais ao âmbito escolar?
Sempre disse que, se continuasse como diretor, teria, a cada dia de aula, um pai de meus 45 alunos acompanhando as aulas.

Iriam lhe acusar de intimidação, não?
Não se trata de intimidação. A intenção seria mostrar a dificuldade que a escola tem de trabalhar várias questões. Em meus trabalhos, geralmente dava uma dificuldade maior que a capacidade de meus alunos exatamente para envolver a família. Resultado: sentavam-se pai, mãe, tio, primos, todos, em busca de uma resolução. Era proposital.

E funcionava?
Sim. Antes, os pais de meus alunos chegavam em casa e iam assistir à programação da televisão. Após eu implementar as atividades e dificuldades, obtive êxito, nesse relacionamento.

Mas, e se disserem que o modelo que o senhor defende está mais para de ''freiras'' ou ''militar''?
Pois é. Em Ibiporã, em meu trabalho no Bilac ouvia isso. E repito o que já dizia: graças a Deus! As melhores escolas que temos, hoje, são as escolas que disciplinam, com filosofia voltada a alguma coisa.

E como seria essa filosofia, para as escolas?
De conhecer sua clientela, seja ela composta por futuros pedreiros, carpinteiros, bombeiros, etc. Certa vez ouvi, de uma mãe de aluna, que gostaria que sua filha aprendesse ''o suficiente para não ser passada para trás''. Acho que a escola tem que ser assim: voltada àquele conhecimento que a clientela vem buscar e, em contrapartida, oferecer de volta. Hoje, o mercado de trabalho não está em busca de quem saiba muito disso ou daquilo. É a capacidade criativa que é valorizada.

Em relação aos professores, eles estão preparados para enfrentar a ''rebeldia dominante'' de crianças e adolescentes?
Não. Temos professores preparados para dar conteúdo. Não há domínio de sala, não há domínio da clientela, não há remuneração equivalente ao esforço e não há tempo hábil para o professor ministrar suas aulas. Precisamos pôr fim ao modelo do professor ''falando, falando, falando'' e do aluno ''ouvindo, ouvindo e ouvindo''.

Alguma sugestão?
Deveríamos limpar os conteúdos escolares. Hoje, temos elementos de busca. Encontra-se tudo na internet, nos jornais ou nas revistas. A forma de o professor passar esses conteúdos deveria ser tal qual os demais canais: dinâmica, lúdica. O professor precisa deixar de ser o centro e de dizer ''eu sei''.

Uma transformação, então?
Exatamente. A escola está falida há muito tempo e ainda não percebeu isso. Precisávamos fazer um encerramento na educação como está, parar cinco anos, levar esses professores primeiro a limpar esse passado. Há professores que se formaram há 30 anos e têm a mesma sistemática de ensino. Isso não serve para esses alunos. O modelo está falido e a maior prova são as médias abaixo de 5, registradas em muitos boletins.

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