Tardando o socorro aos agricultores
Muitos dias se passaram desde que se iniciou o atual movimento de protesto dos agricultores, e até agora o Governo ainda não liberou os recursos prometidos. Anuncia-se que isto poderá acontecer amanhã, e pairam dúvidas se tal ocorrerá na data prevista e como será o pacote de ajuda, porque se os produtores rurais não ficarem satisfeitos, a campanha reivindicatória continuará, nos mesmos moldes. Ou seja, com bloqueio de agências do Banco do Brasil, dos Correios e das casas lotéricas, que são instituições governamentais ou vinculadas. Estão certos os manifestantes, e é assim que devem agir. Os protestos realizam-se nos municípios paranaenses de Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Ibiporã, Jataizinho, Sertanópolis, Jaguapitã, Alvorada, Primeiro de Maio e Centenário do Sul. E contam com apoio de comerciantes e também da população. Ontem uma grande manifestação teve lugar também na parte externa da Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, com o apoio da entidade, e depois seguiu pelas ruas. O Governo negligencia no socoorro à agricultura, e o que já deveria ter sido providenciado com urgência vem se arrastando. Ocorre que a atividade do campo não pode esperar, porque depende de épocas certas de plantio e de colheita. E está sujeita também às vontades do tempo. Todos os retardamentos são prejudiciais e podem colocar uma safra em risco, e isto não pode ser reposto. O pleito dos produtores rurais é extenso, mas entre os pedidos está mais uma dilatação do vencimento das dívidas, porque eles não são caloteiros e querem pagar mas não podem fazê-lo se lhes faltam meios. Secas anteriores, queda de produção, baixa de preços e de seus produtos, aumento no valor dos insumos, tudo isso ao mesmo tempo sufocou o já asfixiado trabalhador do campo. Será preciso socorrê-lo, porque isto significará socorrer o consumidor, que pode dispensar tudo menos o alimento, e este não é produzido nas fábricas mas extraído da terra, pela mão de gente calejada e sofrida. Por isso que, não obstante também outros segmentos da cadeia produtiva reclamem merecidos atendimentos, o da agricultura é prioritário. Tem-se dito à exaustão que quando a agricultura vai bem, as cidades também se enriquecem e tudo o mais irá igualmente bem, e instala-se a segurança da população. Do contrário será o caos. Como os governantes e a bancada paranaense de deputados federais parecem não ter consciência disso, então os agricultores se levantam, cheios de razão e de autoridade. Se não forem atendidos, eles precisarão enrijecer o movimento e tomar medidas ainda mais radicais e eficazes, porque esta é a única linguagem que o Governo conhece.





