Você já pensou em ''desacelerar''? Com raízes na China Antiga, o tai chi chuan extrapola os domínios orientais e desponta como prática das mais válidas, no frenético mundo ocidental, regido por resultados. A recomendação é da professora da arte marcial interna Noemia Tanaka Garcia, que preconiza quietude, suavidade e lentidão como alguns dos principais traços do tai chi. Para aqueles que não conseguem se ''desligar'', respiração e alimentação corretas são alguns dos benefícios citados por quem pratica o exercício.

Como se dá a busca das pessoas pelo tai chi chuan?
Normalmente quando a pessoa não pode mais fazer academia, por conta de um problema de coluna, e o médico recomenda o tai chi chuan ou yoga, que são exercícios de pouco impacto.

Mas essa busca está mais ''consciente''?
Sim. As pessoas já sabem o que estão buscando e não vão atrás apenas de uma atividade física. Busca-se a energia, compreendendo que a saúde vem por meio dessa energia. Com o estímulo aos fluxos energéticos corporais, trabalha-se o interno. No momento em que você entende que o respirar corretamente é o primeiro alimento do ser humano, você já obtém ganhos.

Mas, no geral, as pessoas respiram de forma correta?
Não. Quando as pessoas chegam às minhas aulas, geralmente elas respiram totalmente errado. Temos a consciência pré-estabelecida de que inspirar e expirar é pulmonar. No começo, a dificuldade para esse novo praticante do tai chi chuan é muito grande, porque respiramos pelo pulmão, temos pouco ar.

E o que isso gera?
Depressão, stress e descontrole emocional são os saldos do respirar de maneira errada. Se as pessoas voltassem a respirar corretamente, provavelmente não teriam esses problemas, porque conseguiriam ter o controle de suas próprias vidas.

No que consiste respirar corretamente?
Um exemplo: colocamos um livro sobre o abdômen e trabalhamos de maneira consciente, isto é, sempre inspirando e expirando pelo nariz. É uma prática que todo ser humano consegue fazer. Para quem busca energia, esse método é infalível. Para quem quer reduzir energia, isto é, nas tradicionais atividades físicas, aí o que se recomenda é inspirar e expirar pela boca.

O interessante, então, é alternar os dois momentos?
Exato. Esse domínio oriental gera o autocontrole. No conceito ocidental, se apregoa que devemos nos exercitar para queimar energia. No oriental, queimar energia é lesar nosso corpo. Temos de reter energia para determinado momento.

Mas esse ''acúmulo'' de energia não renderia quilinhos extras?
Não. Acreditamos que o desequilíbrio emocional ou orgânico faça uma pessoa ter compulsão por alimento. Dentro da visão oriental do tai chi chuan, as pessoas já sabem se alimentar em sua medida correta, corporalmente, trazendo bem-estar. A obesidade, para nós, é desequilíbrio.

E o que seria o ''comer corretamente''?
Não é se privar de comer. É o prazer na medida certa, o equilíbrio. Dentro do pensamento oriental, fugimos às regras, à ditadura, porque bons hábitos se transformam em rotina, não em neurose. Nesse contexto, temos o total domínio de nossas vidas, por isso que nada é retirado de maneira brusca. Um exemplo: sabe-se que a carne vermelha não é boa, mas não se tira do cardápio da noite para o dia. A conscientização faz com que tiremos a carne, automaticamente, de nossas refeições. Nada é súbito, as pessoas não devem sofrer, não pregamos o imediatismo.

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